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Como o Exercício Pode Proteger Contra a Depressão

Se exercitar pode ajudar a proteger a mente contra a depressão através de efeitos até então desconhecidos, de acordo com um novo estudo envolvendo camundongos. As descobertas podem ter amplas implicações para qualquer um cujos níveis de estresse ameaçam tornar-se emocionalmente avassaladores.

Há tempos especialistas em saúde mental têm consciência de que até mesmo um nível de estresse leve e repetido pode contribuir para o desenvolvimento da depressão e outros transtornos de humor em animais e pessoas.

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Os cientistas também sabem que os exercícios parecem amenizar a depressão. Se exercitar, de alguma forma, torna pessoas e animais emocionalmente resilientes, como os estudos demonstraram.

Mas como o exercício, uma atividade física, pode diminuir o risco de depressão, um estado de humor, tem sido um mistério.

Assim, no novo estudo, que foi publicado na última semana na Cell, pesquisadores do Instituto Karolinska em Estocolmo, “mergulharam” nos cérebros e comportamentos dos ratos.

As emoções dos camundongos são, obviamente, opacas para nós. Nós não podemos perguntar para camundongos se eles estão se sentindo alegres ou cheios de angústia. Ao invés disso, pesquisadores têm delineado certos comportamentos que indicam depressão em camundongos. Se os animais perdem peso, param de procurar uma solução açucarada quando esta está disponível – porque, presumivelmente, eles já não sentem níveis normais de prazer – ou desistem de tentar escapar de um labirinto de água gelada e apenas ficam parados no mesmo lugar, eles são categorizados como deprimidos.

E no novo experimento, após 5 semanas de níveis frequentes de estresse baixo e intermitente, como ser contido ou levar um leve choque, os camundongos exibiram estes comportamentos. Eles se tornaram depressivos.

Os cientistas poderiam, depois, testar se os exercícios atenuariam o risco de desenvolvimento de depressão após os camundongos que se exercitaram passarem por situações estressantes. Mas, francamente, eles sabiam que isto iria acontecer a partir de pesquisas anteriores.

Então eles estudaram os camundongos na situação de pré-exercício.

Estudos anteriores, destes e de outros cientistas, têm mostrado que exercícios aeróbicos, tanto em camundongos quanto em pessoas, aumentam a produção dentro dos músculos de uma enzima chamada PGC-1alpha. Em particular, exercícios aumentam os níveis de um subtipo de enzima específica conhecida como PGC-1alpha1. Os cientistas de Karolinska suspeitaram que esta enzima, de alguma forma, criava condições dentro do corpo que protegeria o cérebro contra a depressão.

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Mas para determinar se esta teoria estava correta, eles tiveram que isolar a PGC-1alpha1 de todas as outras substâncias bombeadas para fora do músculo durante e após os exercícios. Assim, eles criaram camundongos que, mesmo sem se exercitarem, estavam com altos níveis de PGC-1alpha1. Seus músculos produziam muito dessa enzima, ainda que eles estivessem descansando.

Os cientistas, então, expuseram estes animais a 5 semanas de estresse leve. Os camundongos responderam com leves sintomas de preocupação. Eles perderam peso. Mas eles não desenvolveram totalmente a depressão. Eles continuaram a procurar açúcar e a lutar para sair do labirinto de água gelada. Seus altos níveis de PGC-1alpha1 parecem ter feito com que eles ficassem resistentes a depressão.

Mas os cientistas sabiam que a PGC-1alpha1 muito provavelmente não estaria protegendo o cérebro dos animais diretamente. Ela não funciona dessa forma, agindo diretamente nas células. Pelo contrário, é conhecida como uma promotora, provocando a atividade nos genes, que por sua vez expressam proteínas que afetam vários processos fisiológicos em todo o corpo.

Assim, os cientistas analisaram quais processos estavam sendo notavelmente intensificados nos camundongos ricos em PGC-1alpha1. Eles encontraram um em particular, envolvendo uma substância chamada quinurenina que se acumula em humanos e animais após o estresse. A quinurenina pode passar pela barreira hematoencefálica e, em estudos com animais, demonstrou causar inflamações danosas ao cérebro, que, pensa-se, levaria a depressão.

Mas em camundongos com altos níveis de PGC-1alpha1, a quinurenina produzida pelo estresse foi atacada quase que imediatamente por outra proteína que foi expressa em resposta aos sinais da PGC-1alpha1. Esta proteína mudou a quinurenina, quebrando-a em partes menores que, interessantemente, não poderiam passar a barreira hematoencefálica. Com efeito, o PGC-1alpha1 extra chamou guardas para desarmarem as ameaças para o cérebro e o humor do animal provenientes do estresse frequente.

Por fim, para garantir que estes resultados eram relevantes para as pessoas, os pesquisadores pegaram um grupo de adultos voluntários que completaram três semanas de treinamento frequente de endurance, que consistiam de 40 a 50 minutos de caminhada ou bicicleta. Os cientistas conduziram biópsias musculares antes e depois do programa de treinamento e encontraram, ao final das 3 semanas, substancialmente mais PGC-1alpha1 e a substância que quebra a quinurenina nas células musculares dos voluntários do que no início do estudo.

A conclusão destes resultados, em termos mais simples, é que “você reduz o risco de ter depressão quando se exercita“, diz Maria Lindskog, uma pesquisadora do departamento de neurociência no Instituto Karolinska e co-autora do estudo.

Se os mesmos processos bioquímicos combatem igualmente a depressão que já existe é menos certo, afirma Jorge Ruas, pesquisador principal no Karolinska Institute e autor principal do estudo. Mas ele está esperançoso. “Nós achamos que este mecanismo seria eficiente se for ativado depois do início da depressão”, ele afirma. Ele e seus colegas esperam testar a possibilidade em camundongos brevemente.

Entretanto, se o trabalho e outras pressões aumentarem, pode ser uma boa ideia sair para uma caminhada. Isto pode manter sua quinurenina em dia.

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