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Será possível ter uma vida equilibrada?

Desde pequeno contam pra gente uma historinha de que se você fizer tudo certo e se esforçar bastante… Plim! Sua vida está lá, equilibrada. E pronto: assim permanecerá. Você encontrou o tal do equilíbrio. E principalmente: se a sua vida não está equilibrada, alguma coisa está muito errada.

E aí nós tentamos fazer tudo certo, planejamos, executamos e em algum momento conseguimos alcançar aquilo desejávamos, esperando o tal do equilíbrio. E logo percebemos que a vida não está tão equilibrada quanto imaginávamos.

É como se o seu esforço em busca do equilíbrio fosse um cobertor curto. Se você puxa para um lado, outro fica descoberto.

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Por exemplo: você resolveu focar na sua saúde. Começa a se exercitar, gastar mais tempo preparando a sua comida e tantas coisinhas mais. Consegue equilibrar suas taxas, diminuir/aumentar o peso e passa a se sentir bem com isso porque chegou ao estágio que deseja. Mas ao olhar ao redor percebe que está passando menos tempo com os amigos ou com a família ou se dedicando menos ao trabalho.

Mas calma. Isso é normal.

Ao menos para a maior parte de nós, meros mortais. Focar em uma área da vida e alguma outra ficar (pelo menos um pouco) descoberta não é algo de outro mundo.

“Mas, Diego… Isso não é um problema?”

Continuando com o exemplo do cobertor. Imagine que você está em um lugar bem frio e com tal do cobertor curto. Se você deixar alguma parte do corpo para fora por algum tempo não é um problema, mas se deixar por muito tempo aquela parte do corpo pode congelar e cair (cobertor quase mágico que protege de te congelar, mas imagina aí).

Essa é a lógica que eu vejo com os esforços dedicados às diferentes áreas da vida: não focar em cobrir apenas uma parte, mas de tempos em tempos alternar o quanto cada área ficará (des)coberta. Ás vezes convém cobrir a cabeça e depois de um tempo cobrir os pés, mas nunca deixar nenhuma das partes exposta demais. Só passamos a ter problema quando alguma parte fica descoberta demais.

Em alguns momentos você terá que abrir mão de um tempo com os amigos e com a família para se dedicar mais aos estudos e ao trabalho, por exemplo. Para em seguida voltar a focar na família e amigos enquanto retira um pouco o foco dos estudos e do trabalho.

É como se fosse uma dança que só quem já dormiu com cobertor curto sabe como funciona. Você cobre os pés, passa um tempinho e acorda com frio no peito. Cobre o peito e descobre os pés. Volta a dormir. Passa um tempo e acorda com os pés gelados. Tenta mudar de posição, funciona por um tempo e logo depois fica incômoda. Volta a cobrir os pés. E assim vamos, mudando e equilibrando.equilibrio

 

E aí está um equilíbrio possível. Algo temporário. De vez em quando, em um momento ou outro, encontramos certa posição em que tudo está equilibrado. Como se naquela posição o corpo todo ficasse coberto… Até que…

Até que uma parte do corpo (ou da sua vida) começa a incomodar. E quando ela incomoda precisamos dar um pouco mais de atenção e mudar para que o incômodo diminua. E assim vamos, sucessivamente.

A vida é momento e movimento. Momentos de equilíbrio, seguidos de momentos de desequilíbrio que exigem movimentos para um novo equilíbrio (talvez um pouco mais estável que o anterior).

Então calma, não é preciso se julgar tanto se você achou que tivesse encontrado o equilíbrio e agora já não está mais como era antes. Ou então porque parece que VOCÊ nunca encontra o equilíbrio. Nem sempre é você que perde o equilíbrio, às vezes a vida que forçou mais para um lado mesmo.

Nesses momentos em que a vida força muito para um lado, ficar parado é a receita para o fracasso. Então movimente-se, teste, sinta o frio na barriga que todo e qualquer desequilíbrio gera, mas movimente-se. A vida não é um eterno equilíbrio, mas sim um eterno movimento em busca do equilíbrio. ;)

O Caminho para a Resiliência

Introdução

Como as pessoas lidam com os eventos difíceis que mudam suas vidas? A morte de alguém que amamos, a perda de um trabalho, uma doença grave, ataques terroristas e outros eventos traumáticos: são todos exemplos de experiências de vida desafiadoras. Muitas pessoas reagem a tais circunstâncias com uma enxurrada de emoções e o senso de incerteza.

No entanto, as pessoas geralmente se adaptam bem com o passar do tempo e com as situações e condições estressantes que modificam a vida. O que lhes permite lidar dessa maneira? Trata-se da resiliência, um processo contínuo que requer tempo e esforço e requer que as pessoas tomem uma série de medidas.

Este folheto destina-se a ajudar os leitores a tomar seu próprio caminho para a resiliência. As informações a seguir descrevem a resiliência e alguns fatores que afetam como as pessoas lidam com as dificuldades. Grande parte do folheto centra-se no desenvolvimento e uso de uma estratégia pessoal para aumentar a resiliência.

 O que é resiliência?

Resiliência é o processo de se adaptar bem diante da adversidade, trauma, tragédia, ameaças ou fontes significativas de estresse – como problemas familiares e de relacionamento, problemas graves de saúde ou estressores financeiros e do ambiente de trabalho.

Pesquisas têm demonstrado que a resiliência é comum, não é algo extraordinário. As pessoas comumente demonstram resiliência. Um exemplo é a resposta de diversos americanos aos ataques terroristas de 11 de Setembro e os esforços individuais para reconstruir suas vidas.

Ser resiliente não significa que a pessoa não vivencia dificuldades ou angústia. A dor emocional e a tristeza são comuns em pessoas que sofreram grandes adversidades ou traumas em suas vidas. Na verdade, o caminho para a resiliência provavelmente envolverá um sofrimento emocional considerável.

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Resiliência não é um traço que as pessoas têm ou não. Trata-se de comportamentos, pensamentos e ações que podem ser aprendidas e desenvolvidas por qualquer pessoa.

Fatores de Resiliência

Uma combinação de fatores contribuem para a resiliência. Muitos estudos demonstram que o fator primário em resiliência é ter relacionamentos que cuidam e apoiam, dentro e fora da família. Relacionamentos que criam amor e confiança fornecem modelos e oferecem encorajamento e confiança, ajudando a reforçar a resiliência da pessoa.

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Vários fatores adicionais estão associados com a resiliência, incluindo:

  • A capacidade de fazer planos realistas e mover-se em busca de sua realização.
  • Uma visão positiva de você mesmo e confiança em suas forças e habilidades.
  • Habilidades de comunicação e resolução de problemas.
  • A capacidade de gerenciar sentimentos e impulsos fortes.

Todos estes são fatores que as pessoas podem desenvolver em si mesmas.

 Estratégias para Construir Resiliência

Desenvolver resiliência é uma jornada pessoal. As pessoas não reagem da mesma forma a eventos traumáticos e estressantes. Uma abordagem para construir resiliência em uma pessoa pode não funcionar com outra pessoa. As pessoas usam várias estratégias.

Algumas variações podem refletir diferenças culturais. A cultura de uma pessoa pode ter impacto em como ele ou ela comunica sentimentos e lida com a adversidade – por exemplo, “se” e “como” uma pessoa se conecta com pessoas significativas para ela, incluindo a sua família mais ampla e os recursos da comunidade. Com o crescimento da diversidade cultural, o público tem amplo acesso a um diferente número de abordagens para construir resiliência.

Algumas ou várias maneiras de construir resiliência, relatadas a seguir, podem ser apropriadas ao considerar o desenvolvimento da sua estratégia pessoal.

10 Formas de Construir Resiliência

Crie Conexões. Bons relacionamentos com membros da família mais próximos, amigos e outros são importantes. Aceitar ajuda e apoio daqueles que se preocupam com você e te escutam, fortalece a sua resiliência. Algumas pessoas acham que ser uma pessoa ativa em grupos cívicos, organizações religiosas ou outros grupos locais fornece apoio social e podem ajudar com a recuperação da esperança. Ajudar outras pessoas em seus momentos de necessidade também pode beneficiar aquele que ajuda.

Evite ver as crises como problemas insuperáveis. Você não pode evitar que eventos altamente estressantes ocorram, mas você pode mudar como você interpreta e responde a estes eventos. Tente olhar além do presente e em como as circunstâncias futuras podem ser um pouco melhor. Observe todas as maneiras sutis em que você já pode estar, de alguma maneira, se sentindo melhor ao lidar com situações difíceis.

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Aceite que a mudança é uma parte da vida. Alguns objetivos podem não ser atingidos como resultado de situações adversas. Aceitar circunstâncias que não podem ser modificadas pode te ajudar a focar em circunstâncias que você pode alterar.

Caminhe em direção aos seus objetivos. Desenvolva metas realísticas. Faça alguma coisa regularmente – ainda que isto pareça uma pequena realização – que lhe permita mover-se em direção aos seus objetivos. Ao invés de se concentrar em tarefas que parecem inatingíveis, pergunte a você mesmo, “Que coisa eu sei que eu posso realizar hoje que me ajuda a caminhar na direção que eu quero ir?”.

Tome ações decisivas. Aja o máximo que puder nas situações adversas. Tome ações decisivas, ao invés de se afastar completamente dos problemas e “estresses”, desejando que eles vão embora.

Procure oportunidades de autoconhecimento. As pessoas normalmente aprendem alguma coisa sobre elas mesmas e podem ver que cresceram de alguma forma como resultado da sua luta com a perda. Muitas pessoas que vivenciaram tragédias e dificuldades relatam relacionamentos melhores, maior sensação de força até mesmo quando sentem-se vulneráveis, maior senso de autoestima, uma espiritualidade mais desenvolvida e um elevado apreço pela vida.

Cultive uma visão positiva de você mesmo. Desenvolver confiança em sua habilidade para resolver problemas e confiar em seus instintos ajuda a construir resiliência.

Mantenha as coisas em perspectiva. Mesmo quando encarar eventos dolorosos, tente considerar a situação estressante em um contexto mais amplo e mantenha a perspectiva de longo-prazo. Evite inflar o evento de forma desproporcional.

Mantenha uma perspectiva esperançosa. Uma visão otimista permite que você espere que coisas boas aconteçam em sua vida. Tente visualizar o que você quer, ao invés de se preocupar com o que você teme.

Cuide-se. Preste atenção em suas próprias necessidades e sentimentos. Envolva-se em atividades que você gosta e considera relaxante. Exercite-se regularmente. Cuidar de si mesmo ajuda a manter corpo e mente preparados para lidar com situações que exijam resiliência.

Outras formas de fortalecer a resiliência podem ser úteis. Por exemplo, algumas pessoas escrevem sobre seus sentimentos e pensamentos mais profundos relacionados ao trauma ou outros eventos estressantes em sua vida. Meditação e práticas espirituais ajudam algumas pessoas a construir conexões e a restaurar a esperança.

O segredo é identificar formas que possam funcionar para você como parte da sua estratégia pessoal para promover a resiliência.

Algumas Perguntas a se fazer

Concentra-se em experiências passadas e em fontes da sua força pessoal pode te ajudar a aprender quais estratégias para construir resiliência podem funcionar para você. Ao explorar as respostas para as perguntas a seguir sobre você e suas reações a eventos desafiadores na sua vida, você pode descobrir como você pode responder de maneira efetiva às situações difíceis em sua vida.

Considere o seguinte:

  • Que tipos de eventos têm sido os mais estressantes para mim?
  • Como estes eventos tipicamente me afetam?
  • Eu achei útil pensar em pessoas importantes na minha vida quando eu estava angustiado?
  • Para quem eu pedi apoio quando estava passando por uma experiência estressante?
  • O que eu aprendi sobre mim mesmo e minhas interações com os outros durante tempos difíceis?
  • Foi útil para mim ajudar alguém que estava passando por uma situação semelhante?
  • Tenho sido capaz de superar os obstáculos, e se sim, como?
  • O que tem ajudado a fazer com que eu me sinta mais esperançoso sobre o futuro?

Continue Flexível

Resiliência envolve a manutenção de flexibilidade e equilíbrio em sua vida enquanto você lida com circunstâncias estressantes e eventos traumáticos. Isto acontece de várias maneiras, incluindo:

  • Se permitir emoções fortes e se dar conta de quando você pode evitar viver estas emoções, com o objetivo de manter-se funcionando.
  • Avançar e tomar ações para lidar com seus problemas e atender às demandas do cotidiano, e também “recuar” para descansar e se reenergizar.
  • Passar um tempo om aqueles que você ama para obter apoio e “coragem”, mas também para se cuidar.
  • Confiar nos outros e também em você mesmo.

Locais para buscar Ajuda

Buscar ajuda quando você precisa é essencial na construção da resiliência. Além de cuidar dos membros da família e amigos, as pessoas costumam achar útil recorrer a:

  • Grupos de apoio e autoajuda: estes grupos comunitários podem ajudar as pessoas que estão lutando contra momentos difíceis como a morte de alguém que amamos. Ao compartilhar informações, ideias e emoções, os participantes do grupo podem ajudar uns aos outros e encontrar conforto ao saber que não estão sozinhos enquanto passam por dificuldades.
  • Livros e outras publicações de pessoas que foram bem-sucedidas ao gerenciar situações adversas como sobreviver ao câncer. Estas estórias podem motivar os leitores a encontrarem estratégias que podem funcionar para eles.
  • Recursos Online. A informação na internet pode ser uma fonte de ideias úteis, embora a qualidade das informações varie de acordo com as fontes. Para muitas pessoas, usar seus próprios recursos e os tipos de ajuda listados acima podem ser suficientes para a construção de resiliência. Às vezes, no entanto, um indivíduo pode se sentir travado ou ter dificuldades para fazer progressos na estrada para a resiliência.
  • Um profissional da saúde, como um psicólogo, pode ajudar as pessoas no desenvolvimento da estratégia apropriada para seguir em frente. É importante procurar ajuda profissional se você sente que não consegue funcionar ou realizar atividades cotidianas como resultado de um evento traumático ou estressante. As pessoas são diferentes e tendem a se sentir confortáveis com diferentes estilos de interação. A pessoa deve se sentir confortável e ter um bom relacionamento com o profissional de saúde ou ao participar de grupos de apoio.

Continuando sua jornada

Para ajudar a resumir alguns dos principais pontos deste folheto, pense na resiliência como algo semelhante a descer um rio de raft. Em um rio, você pode entrar corredeiras, voltas, água lenta e locais rasos. Como na vida, as mudanças que você vivencia te afetam de forma diferente ao longo do caminho.

Ao viajar em um rio, é útil ter conhecimento sobre isso e experiência ao lidar com isto. Sua jornada deve ser guiada por um plano, uma estratégia que você considera que seja provável de funcionar com você.

Perseverança e confiança em sua habilidade de construir seu caminho em torno de pedras e outros obstáculos são importantes. Você pode ganhar coragem e perspicácia ao navegar seu caminho através de rios turbulentos. Companheiros de confiança que o acompanham na jornada podem ser especialmente úteis ao lidar com as corredeiras, ir contra a corrente e outras dificuldades que apareçam no percurso do rio.

Você pode sair para descansar ao longo do rio, mas para chegar ao fim da jornada você precisa voltar para sua embarcação e continuar.

 Texto Original.

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