Arquivo da tag: dependência emocional

“Eu não sei se é amor de verdade…”

Esta é uma frase muito comum de se ouvir no consultório, normalmente por clientes que saíram de algum relacionamento longo e intenso e estão se envolvendo com outra pessoa pela qual ela não consegue sentir “aquele sentimento”. O interessante é que elas não sabem por qual motivo o que elas estão sentindo não é “o amor de verdade”. Mas afinal, existe o tal AMOR DE VERDADE?

“Borboletas no estômago”

Na maioria dos casos o amor de verdade está relacionado com algo constantemente intenso. É aquela sensação de que NECESSITA da outra pessoa, de ficar muito ansioso, querer ver a todo instante. São aquelas paixões adolescentes, intensas… Algo como um roteiro de comédia romântica (algo que algumas pesquisas já mostraram que pode ser prejudicial aos relacionamentos).

rom com

Não é incomum que o amor de verdade esteja relacionado à estas primeiras paixões. O tempo passa, este relacionamento acaba, a pessoa se envolve em outros relacionamentos, a sua vida vai mudando, mas ela acaba por não sentir “aquele amor”.

E como um viciado busca aquela primeira sensação, algumas pessoas buscam novos relacionamentos intensos que possam dar a sensação de “borboletas no estômago”. Inicialmente elas conseguem, com o passar do tempo não sentem mais “AQUELA SENSAÇÃO” e deixam o relacionamento no meio do caminho…

borboletas no estomago

O mais interessante é que muitos encontram pessoas com características que lhe agradam e falam “ele (a) é uma pessoa que eu deveria estar amando de verdade porque tem todas as características que eu gosto…. Não sei o que aconteceu comigo que eu não consigo sentir mais aquele sentimento”. Muitas vezes este sentimento pode ser traduzido como “o medo de perder” que no “amor de verdade” é muito intenso e com o novo relacionamento ele quase não existe.

A pessoa passa a ter certeza de que se não tem medo de perder, se não tem saudade a todo instante e todas aquelas inseguranças, então não é amor de verdade. Mas por qual motivo a pessoa não sente mais isso? Bem, em muitos casos a resposta é muito simples: você mudou.

“Eu vivia em função dele (a)”

Na maior parte dos “amores de verdade” relatados, o que notamos é aquela máxima de que “um vive pelo outro”. E é algo que nossa sociedade até acha bonito, elogia e tudo o mais, mas esquecemos dos efeitos colaterais que isto pode causar.

Pessoas que vivem em função de seu (a) parceiro (a), normalmente deixam outras partes de suas vidas de lado, acabando por colocar os amigos, família, estudos e trabalho como algo que está ali, mas que não tem muita importância. Acontece que quanto mais pessoas e ambientes que possam nos dar “coisas boas” como atenção, reconhecimento e mais e mais relacionamentos saudáveis, menos intenso e menos medo de perder e outros sentimentos incômodos nós sentimos.

Se você vive em função da outra pessoa e passa a deixar outros relacionamentos de lado, adivinha o que acontece? Este relacionamento passa a ser sua única fonte de atenção, reconhecimento, amor e etc… E quando depositamos tudo o que temos em um mesmo pote, passamos a ter muito medo de perder este pote.

 Tudo teve fim e…. Você mudou!

O mais legal em nossa vida é que nós mudamos. Você já reparou como muitas pessoas amadurecem quando terminam este tipo de relacionamento? Em geral elas passam a dar valor a novas amizades, família, carreira, estudo, hobbies e mais um monte de coisas que passam a compor esta nova vida.

E diante de tudo isso a pessoa passa a ter menos medo de perder uma ou outra relação. Na verdade, isto dificilmente passa a ser algo que a incomode. E que coisa boa, não é mesmo? Você mudou! E pelo jeito pra melhor!

Acontece que um belo dia você está se relacionando com alguém e percebe o que eu falei lá no início: você “não sente AQUELA COISA”. E é nesta hora que eu te pergunto: será que tem como? Será que diante de tantas transformações você amará da mesma forma?

“Aquela coisa” nem sempre era fruto do relacionamento em si, mas em como você levava a sua vida, com a felicidade totalmente dependente de uma pessoa. Com o passar do tempo e a sua felicidade dividida em várias esferas da sua vida, mais difícil é sentir AQUELE SENTIMENTO intenso e todas aquelas inseguranças… E isso não é algo ruim!

Provavelmente você aprendeu a lidar com a solidão, sabendo que a sua vida é mais do que um relacionamento e que pra ser feliz você não precisa necessariamente de uma pessoa, principalmente se esta pessoa te priva de várias coisas boas e novas que agora você tem e aprecia. Agora você não quer um relacionamento qualquer e nem que ele seja seu único relacionamento, mas sim um que complemente.

 Enfim um amor ameno…

Pela valorização cultural dos sentimentos intensos, raramente notamos o valor de um amor ameno. Este amor ameno nada mais é do que fruto de uma vida mais equilibrada.

Todos os sentimentos associados ao “amor de verdade” irão surgir em um relacionamento ameno, mas de forma menos intensa e menos problemática. Mas lembre-se: isto não é um problema, apenas uma mudança que pode ocorrer naturalmente ou com o auxílio da psicoterapia.

Para viver relacionamentos mais tranquilos e plenos, experimente se conhecer e aprender o que é valioso para você. Sabe aquela velha história do “eu me amo, não posso mais viver sem mim“? Dessa forma você irá buscar pessoas que venham não mais para ser a razão da sua felicidade, mas para complementá-la e torná-la ainda mais completa.


E não se esqueça de se inscrever para receber estas e outras notícias relacionadas ao bem-estar psicológico diretamente em seu e-mail:

Imagens:

Comédia Romântica

Borboletas no Estômago

Dependência