Quando beber se torna um problema?

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O artigo de hoje vem direto do site da Associação Americana de Psicologia (APA). Vamos lá?


Para muitas pessoas beber álcool não é nada além do que uma forma prazerosa de relaxar. No entanto, pessoas com transtornos relacionados ao uso de álcool bebem em excesso, colocando em risco tanto a sua vida como a de outros. Esta página de perguntas e respostas explica os problemas relacionados ao álcool e como psicólogos podem ajudar as pessoas a se recuperarem.

Quando beber se torna um problema?

Para a maioria dos adultos o uso moderado de álcool – não mais do que dois drinks por dia para os homens e um para as mulheres e pessoas mais velhas – é relativamente inofensivo (um drink significa 44ml de bebidas mais fortes, 147 ml de vinho ou 354 ml de cerveja – todos contêm cerca de 14ml de álcool).

O uso moderado, no entanto, encontra-se em uma extremidade de um intervalo que varia através do abuso até a dependência de álcool:

  • Abuso de álcool é um padrão em beber que resulta em consequências adversas significantes e recorrentes. Os “abusadores de álcool” podem falhar para cumprir obrigações na escola, trabalho ou na família. Eles podem ter problemas legais relacionados ao álcool, como prisões recorrentes por dirigir embriagados. Eles podem ter problemas de relacionamento ligados ao uso de álcool.
  • Pessoas com alcoolismo – tecnicamente conhecido como dependência de álcoolperderam o controle do uso de álcool. Não importa o tipo de álcool que alguém consuma ou a quantidade; Pessoas dependentes do álcool costumam não ser capazes de parar de beber, uma vez que tenham começado. A dependência de álcool é caracterizada pela tolerância (a necessidade de beber mais para conseguir a mesma “onda”) e sintomas de abstinência se pararem de beber abruptamente. Sintomas de abstinência podem incluir náusea, suor, inquietação, irritabilidade, tremores, alucinações e convulsões.
    Embora problemas mais severos relacionados ao álcool ganhem mais atenção do público, até mesmo problemas moderados causam estragos substanciais aos indivíduos, suas famílias e sua comunidade.

 alcoolismo

De acordo com o National Institute on Alcohol Abuse and Alcoholism (NIAAA), 1 em cada 12 adultos americanos é um “abusador de álcool”1 . E jovens adultos com idade entre 18 e 29 anos são os mais prováveis de terem problemas com álcool. Por exemplo, uma pesquisa do governo revelou que quase 8 por cento dos jovens entre 12 e 17 anos e quase 41 por cento de adultos jovens entre 18 e 25 anos relataram episódios em que “beberam pesado”— bebendo 5 ou mais drinks na mesma ocasião pelo menos uma vez no mês passado.2

O que causam os transtornos relacionados ao álcool?

Problemas relacionados ao ato de beber possuem múltiplas causas, com fatores genéticos, fisiológicos, psicológicos e sociais exercendo influência. Nem todo indivíduo é igualmente afetado por cada causa. Para alguns que abusam do álcool, traços psicológicos como a impulsividade, baixa autoestima e a necessidade de aprovação levam ao beber de forma inapropriada. Alguns indivíduos bebem para lidar com ou “medicar” seus problemas emocionais. Fatores sociais e ambientais como a pressão dos pares e o fácil acesso ao álcool podem desempenhar seu papel. Pobreza e abuso físico ou sexual também aumentam a probabilidade de desenvolver a dependência do álcool.

Fatores genéticos podem fazer algumas pessoas especialmente vulneráveis a dependência ao álcool. Ao contrário do que se pensa, pessoas que conseguem beber muito sem sentir os efeitos do álcool são provavelmente as que correm mais risco – e não menos – com problemas relacionados ao álcool. Entretanto, um histórico familiar de problemas relacionados ao álcool não significa que as crianças irão automaticamente crescer e ter os mesmos problemas. Tampouco a ausência de problemas com bebida na família necessariamente protege as crianças de desenvolverem problemas.

Uma vez que as pessoas comecem a beber excessivamente, o problema pode se perpetuar. Beber pesado pode causar mudanças psicológicas que fazem com que a única saída para evitar o desconforto seja beber mais. Indivíduos com dependência ao álcool podem  beber parcialmente para reduzir ou evitar os sintomas de abstinência.

Como os transtornos relacionados ao álcool afetam as pessoas?

Enquanto algumas pesquisas sugerem que uma pequena quantidade de álcool pode ter efeitos cardiovasculares benéficos, há um amplo consenso de que “beber pesado” pode levar a problemas de saúde.

Efeitos de curto-prazo incluem perda de memória, ressaca e apagões. Problemas de longo-prazo incluem doenças estomacais, problemas cardíacos, câncer, danos cerebrais, perda de memória grave e cirrose hepática. Pessoas que bebem pesado também aumentam suas chances de morrer em acidentes automobilísticos, homicídio e suicídio. Embora os homens apresentem maior probabilidade de desenvolver o alcoolismo, a saúde feminina sofre mais, mesmo em menos níveis de consumo.

Problemas com bebida também têm um impacto negativo na saúde psicológica. O abuso de álcool e o alcoolismo podem piorar condições existentes como a depressão ou induzir a novos problemas como perda de memória grave, depressão e ansiedade.

Transtornos relacionados ao álcool não causam problema apenas para quem bebe. Parceiros e filhos de pessoas que bebem muito podem enfrentar violência familiar; as crianças podem sofrer abuso físico, sexual e negligência, desenvolvendo problemas psicológicos. Mulheres que bebem durante a gravidez correm um sério risco de prejudicar seus fetos. Parentes, amigos e estranhos podem ser feridos ou mortos em acidentes e assaltos relacionados ao álcool.

Quando alguém deve procurar ajuda?

Indivíduos costumam esconder seu consumo de álcool ou negar que têm um problema. Como você pode notar se você ou algum conhecido está com problema? Sinais de um possível problema incluem ter amigos ou parentes que expressam preocupação, ficar irritado quando alguém critica seu consumo de álcool, se sentir culpado sobre a forma como tem bebido, pensar que deveria parar mas perceber que não é capaz ou precisar de um drink matinal para acalmar os nervos ou aliviar uma ressaca.

Algumas pessoas com problemas de consumo de álcool trabalham duro para resolvê-los. Com o suporte da família ou amigos, estes indivíduos muitas vezes são capazes de melhorar por conta própria. Entretanto, aqueles que têm dependência do álcool normalmente não podem parar de beber apenas com a força de vontade. Muitos precisam de ajuda externa. Eles podem precisar de uma desintoxicação com supervisão médica para evitar os sintomas de abstinência potencialmente fatais, como convulsões. Uma vez que as pessoas estejam estabilizadas, elas podem precisar de ajuda para solucionar suas questões psicológicas associadas com o problema relacionado ao consumo de álcool.

Existem várias abordagens disponíveis para o tratamento de problemas com álcool. Não existe uma abordagem que seja a melhor para todos os indivíduos.

Como um psicólogo pode ajudar?

Psicólogos que são treinados e possuem experiência com o tratamento de problemas relacionado ao álcool podem ser úteis de várias maneiras. Antes que a pessoa com problemas procure ajuda, o psicólogo pode guiar a família ou outras pessoas para que estas aumentem a motivação para mudar de quem está precisando de ajuda.

O psicólogo pode começar com o “bebedor” avaliando os tipos e graus de problemas que ele passou. Os resultados da avaliação podem oferecer uma orientação inicial para o cliente sobre que tipo de tratamento procurar e ajudar a motivar o “bebedor” a buscar tratamento. Indivíduos com problemas relacionados a bebida aumentam suas chances de se recuperarem ao procurar ajuda mais cedo.

Usando uma ou mais dos vários tipos de psicoterapias, psicólogos podem ajudar a pessoa a resolver seus problemas psicológicos envolvidos com o consumo de álcool. Algumas destas terapias, incluindo o tratamento de habilidades cognitivo-comportamentais de enfrentamento e a terapia de aumento da motivação, foram desenvolvidas por psicólogos.

Terapias adicionais incluem a abordagem dos 12 passos que ajudam as pessoas com problemas de alcoolismo na utilização de programas de autoajuda, como  os Alcoólicos Anônimos (AA).

Estas terapias podem ajudar as pessoas a aumentar sua motivação com o objetivo de parar de beber, identificar circunstâncias que disparam o consumo, aprender novos métodos para lidar com situações que apresentem alto risco de beber e desenvolver sistemas de suporte social com suas comunidades.

Todos os três tipos de terapias têm demonstrado sua efetividade. Uma análise da abordagem cognitivo-comportamental, por exemplo, encontrou que 58 por cento dos pacientes recebendo tratamento cognitivo-comportamental se saíram melhor que os grupos de controle.3 Em outro estudo, intervenções motivacionais reduziram a frequência e a quantidade com que adolescentes bebiam após sair de um tratamento de álcool de emergência.4 E uma intervenção chamada Making Alcoholics Anonymous Easier aumentou significativamente a probabilidade dos participantes se absterem de álcool.5 Muitos indivíduos com problemas relacionados ao álcool sofrem de outras condições psicológicas concomitantes, como ansiedade e depressão severa. Psicólogos também podem diagnosticas e tratar estas condições. Ainda, um psicólogo pode desempenhar um importante papel coordenando os serviços de outros profissionais da saúde que o cliente recebe durante o tratamento.

Psicólogos também podem fornecer terapias de casal, familiar e em grupo que frequentemente são úteis para reparar as relações interpessoais e para resolver o problema com bebidas a longo-prazo. Os relacionamentos familiares influenciam o comportamento de beber e estes relacionamentos costumam mudar durante a recuperação dos indivíduos. O psicólogo pode ajudar o cliente e as pessoas que estão ao seu redor a navegar nestas transições complexas, ajudando famílias a entender o problema de beber e a auxiliar membros da família na recuperação, encaminhando os membros da família para grupos de auto-ajuda.

Como a pessoa pode passar por uma ou mais recaídas e retornar ao problema de beber, pode ser crucial ter um psicólogo ou outro profissional de saúde de confiança com quem a pessoa possa discutir e aprender a partir desses eventos. Se a pessoa que bebe estiver incapaz de resolver os problemas com álcool completamente, um psicólogo pode ajudar com a redução do uso de álcool, minimizando os problemas.

Psicólogos também podem fornecer encaminhamentos para grupos de autoajuda. Mesmo após o fim do tratamento formal, muitas pessoas procuram apoio adicional através do envolvimento contínuo nestes grupos.

Transtornos relacionados ao álcool prejudicam de forma grave o funcionamento e a saúde. Mas as perspectivas para a resolução do problema bem-sucedida são boas para as pessoas que procuram a ajuda de fontes apropriadas.

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