Como lidar com os efeitos psicológicos da crise econômica?

Cenário político caótico, desemprego aumentando, inflação subindo, renda diminuindo, quase todos os especialistas dizendo que a crise ainda tem muito a piorar…. E você no meio de tudo isso.

Quem está desempregado(a) fica preocupado(a) com o dia de hoje, por muitas vezes não saber como vai quitar suas dívidas, e com o dia de amanhã, por não saber o quanto ainda pode piorar. Quem está empregado(a) fica preocupado(a) com o dia de hoje, pois tem um acúmulo de atividades cada vez maior, e com o dia de amanhã, porque nunca sabe se será o próximo da lista de demitidos e se o dinheiro que ganha vai conseguir quitar as dívidas que tem. E você no meio disso tudo.

 E eu com isso?

Nessa situação, você pode passar a apresentar quadros de ansiedade, estresse, surtos de raiva, agressividade, dificuldade para dormir e por aí vai. Tudo isso pode ocorrer porque quando estamos diante desse tipo de situação tudo parece que vai desabar e acabamos por ficar “sempre alerta“, estando a um passo de “lutar ou correr“. É quase uma defesa natural do nosso corpo, para evitar que tenhamos “surpresas desagradáveis“. O problema maior é quando isso perdura por muito tempo.

É comum que durante essas fases você tenha a sensação que não importa o que você fizer, tudo vai dar errado. Mas acredite: existe uma saída. O problema é que a saída nem sempre é a que você desejava ou esperava. Afinal de contas, passar por momentos de crise implica em abrir mão de muitas coisas, lidar com privações, mudar todo um estilo de vida. E é exatamente nesse ponto que as coisas começam a ficar mais difíceis, principalmente para os homens¹.

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Isso porque nesses momentos tende a ocorrer um aumento significativo dos índices de suicídio entre os homens. E algumas pressões culturais podem ser uma das várias responsáveis por isso, como a expectativa cultural de que os homens sejam os provedores da casa. Quando isso não ocorre eles tendem a sofrer, não ver saída, não buscar ajuda e, em um momento de desespero, cometer suicídio. Mas lembre-se: momentos de desespero passam e a vida pode e deve continuar!

Nesses momentos é muito importante que exista um diálogo aberto entre as pessoas de uma família, para que todos tenham a real noção do que está acontecendo e possam pensar em maneiras conjuntas de agir para melhorar a situação da família ou para que todos possam passar por isso de uma forma menos dolorosa e com menores chances de que uma pessoa ou outra entre em um círculo de culpabilização e piore toda a situação.

É importante que você saiba que sofrer diante desse cenário não é uma “fraqueza” ou nenhuma “frescura”! Toda e qualquer pessoa tende a sofrer diante de mudanças que tendem a “piorar” a vida. Considere que o seu sofrimento é um aviso de que você precisa se desenvolver para lidar com situações novas. E lembre-se: é muito importante ter e aprender a lidar com problemas.

O que fazer?

Diante dessa situação resolvi separar algumas ações que você pode tomar para tentar passar por essa fase da melhor forma possível:

  1. Aceite a sua situação atual: aqui vale aquele velho ditado “Conceda-me a serenidade para aceitar aquilo que não posso mudar, a coragem para mudar o que me for possível e a sabedoria para saber discernir entre as duas”. Se você perdeu renda e não existe possibilidade de aumentá-la no curto-prazo, aceite isso e pare de ruminar sobre o que poderia ter feito lá atrás.
  2. Evite os canais de notícias: não se trata de virar uma pessoa alienada, trata-se de avaliar se assistir ao noticiário não está fazendo com que você fique ainda pior. Tenho percebido muitas pessoas que, diante de tanta notícia ruim, acabam ficando paralisadas. Que tal fazer um “regime” de notícias?
  3. Consulte um especialista em finanças: pode ser uma boa conversar com um consultor financeiro antes de sair cortando gastos por aí. Se você está endividado é preciso que você conheça a sua dívida para traçar um plano de ação. Caso isso não seja possível, a internet está cheia de vídeos e textos ensinando o básico para se livrar das dívidas.
  4. Aceite (sim, novamente!) a mudança do seu padrão de qualidade de vida: talvez seja necessário vender seu carro bom e pegar um carro mais popular, deixar de lado alguns programas “mais caros” e etc. Nesse momento pode pesar a “avaliação social” que outras pessoas podem fazer de você. Mas lembre-se: seu objetivo não é manter uma “boa imagem social”, mas sim ter mais tranquilidade dentro da sua casa e da sua vida.
  5. Curta os momentos com as pessoas ao seu redor: momentos de crise podem ser importantes para voltar a perceber o que você tem de mais importante, que são as suas relações sociais. Aquelas que, independente da sua condição financeira, estarão ao seu lado.
  6. Busque atividades para relaxar: nem tudo o que faz bem custa dinheiro ou custa caro! Que tal ir para um parque, praia, lagoa ou qualquer outro local que te permita fazer algumas atividades agradáveis e relaxantes? Alguns problemas podem levar algum tempo para serem resolvidos, então que tal relaxar enquanto isso?
  7. Busque auxílio psicológico: na atual conjuntura da economia tem crescido a procura por profissionais da Psicologia. Através de sessões semanais (ou de acordo com o que ficar combinado entre cliente e psicólogo) é possível pensar sobre como está a sua vida e buscar novas formas de agir para que a crise não te abale tanto assim.

Por fim, uma pequena historinha: Dizem que um sábio tinha esses dizeres escritos em cima da sua cama “ISSO TAMBÉM PASSA“. Ao ser perguntado o motivo disso, respondeu que era para que, quando estivesse passando por momentos ruins, se lembrar que eles iriam embora e que ao final de tudo ele sairia com ainda mais aprendizado. Mas esta frase não serviria somente para os momentos ruins. Quando estivermos exaltado de alegria, também precisaremos de moderação para encontrar nosso equilíbrio porque “Isso também passa…”. Tudo na vida é passageiro: tanto as tristezas como também as alegrias.

Abraço e até a próxima!