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Sobre Problemas e Louça Suja

Você já reparou como ter/resolver problemas e ter/lavar louça suja são duas atividades bem parecidas? E já reparou como são duas situações que podem ter um impacto negativo em você?

Na sua vida as pessoas vão encontrar os mais diversos tipos de problemas: desde os problemas mais simples até os problemas mais complexos e difíceis de resolver. Também terão os mais diversos tipos de louça suja: desde aquelas faquinhas que você usou apenas para cortar pão até aquela panela com fundo queimado, cheia de gordura e tantas outras coisas.

Tanto ter problema quanto ter louça suja costuma gerar certo incômodo: a pessoa sabe que se deixar ali aquilo não vai se resolver sozinho. O problema vai continuar ali até que a pessoa resolva e a louça vai continuar suja até que a pessoa a lave.

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Nas 2 situações as pessoas costumam agir de maneira semelhante: com os problemas acabam por resolver aqueles menos complicados, que dão menos trabalho e , em sua maioria, acabam resolvendo apenas quando eles se tornam urgentes e podem trazer uma consequência mais imediata. Com as louças acontece algo semelhante, várias pessoas acabam lavando apenas aquilo que é mais fácil e, em muitas situações, somente quando é mais urgente. Algo como “Eu sei que tenho muita coisa acumulada pra lavar, mas agora só preciso desse copo pra tomar água. Então deixa eu lavar esse copo aqui e deixar o resto aí“.

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“Ah, deixa só eu ver uma coisinha aqui e depois eu faço”

O grande problema é o mal-estar psicológico que isso pode causar. As pessoas podem deixar vários problemas “pra depois” e ir vivendo, vivendo… Até que uma hora ou outra o tal problema apareça na cabeça, fazendo lembrar que aquela situação precisa de uma atenção e da alguma ação para que seja resolvido. Sem isso nada poderá ser feito.

A mesma coisa acontece com aquela louça por lavar. A pessoa saber que pode ter lavado todos os pratos, talheres e copos que precisa, mas aquelas panelas sujas continuam ali. Ela pode até tentar escondê-la, colocá-la de lado e por aí vai… Mas uma hora ou outra a pessoa vai lembrar que ela está lá, esperando para ser lavada. Talvez naquela hora que ela está “curtindo uma preguiça” e lembrar que precisa tomar uma ação.

E aí entra um outro complicador: nas 2 situações, quanto mais se demora a tomar uma ação, mais desgaste e mais trabalho é preciso para solucionar. Aquela panela vai ficar com a sujeira mais agarrada, pode começar a cheirar mal… E aquele problema no carro ou aquela conversa no trabalho que precisa de uma atitude também ficarão lá “esperando” e possivelmente piorando… O problema no carro pode aumentar, a falta de conversa pode gerar um grande mal-entendido…

E o pior, hora ou outra a pessoa pode acabar precisando de algo ligado àquela situação: talvez precise cozinhar algo que só dá pra fazer NAQUELA PANELA, talvez precise resolver algo sério com aquela pessoa com quem ainda não teve AQUELA CONVERSA.

Diversas situações podem exigir muito das pessoas e a vontade que dá é de deixá-las pra lá. Infelizmente essa postura pode até dar menos trabalho no curto-prazo, mas tende a ser horrível a médio e longo-prazo. Ao fazer isso as pessoas abdicam de encontrar uma solução satisfatória e que gere maior bem-estar para o dia-a-dia. A louça pode acabar ficando mal lavada e os problemas mal-resolvidos.

Nas 2 situações somente a ação em direção a resolução é que tende a promover bem-estar. E somente agindo é possível desenvolver mais e mais habilidades que tornarão o “enfrentamento” dessas situações algo menos “doloroso” e mais efetivo. Depois de um tempo aprende-se formas mais rápidas, simples e menos “dolorosas” de resolver as coisas e lavar a louça.

Então nunca é tarde para mudar de postura, parar de ignorar os problemas (e as louças) e partir para ação em busca de uma situação que melhor te agrade. ;)

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Imagens: Internet (reprodução).

Tá esperando o quê?

Hoje eu quero falar com você que tem alguns sonhos, vontades, desejos e tudo o mais. Você que tem tudo isso e por algum motivo não começou. Talvez sua história seja parecida com as histórias abaixo:

X é porteiro de um prédio e tinha uma habilidade em fazer luminárias em pvc, mas deixou isso pra lá. A situação começou a apertar e ele resolveu fazer um pra vender para um amigo. O amigo gostou e outras pessoas começaram a pedir mais. Agora ele está com vários pedidos a caminho

Y é psicóloga e há algum tempo está sentindo-se insatisfeita e a grana também está apertando. Resolveu voltar a fazer algo que gostava e passar a atender nos horários que antes eram livres

Z trabalha em um escritório de contabilidade e sempre adorou cozinhar. A grana apertou e mesmo sem tempo ele resolveu tentar cozinhar para fora.

W foi demitido. Resolveu comprar uma barraquinha com o pouco dinheiro que restou para vender os doces que sua esposa faz e todos adoram“.

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Essas são histórias típicas da realidade brasileira atual. Com a inflação alta e a taxa de desemprego aumentando essas histórias tendem a se tornar cada vez mais comuns. São pessoas comuns, com histórias comuns e que de uma hora pra outra resolveram fazer algo que gostam ou que nem gostavam tanto, mas têm habilidade para fazer e gostariam de ter feito antes.

Mas a pergunta que eu gostaria de fazer para você é a seguinte: por quais motivos essas pessoas esperaram tanto tempo para fazer isso?

Tempo? Dinheiro? Já pensou como essa espera é a maior armadilha que você pode criar? Se você está em um emprego formal, carteira assinada e tudo bonitinho, provavelmente trabalhará cerca de 40 horas. Vai ter uma graninha sobrando (ou não) e terá pouco tempo sobrando. Mas a outra alternativa para ter muito tempo pode não ser tão agradável para muitas pessoas: fique desempregado.

Isso mesmo: desempregado. Fique desempregado que rapidinho você terá muito tempo sobrando, mas pode ser que não tenha quase nenhum dinheiro para receber e muito menos para sobrar.

Note que as pessoas que eu citei ali em cima (casos reais e fictícios) não tinham iniciado nada disso antes que as coisas “apertassem”. Elas estavam esperando o momento certo, aquele momento em que o vento sopra a noroeste, a temperatura está em 24°, a umidade relativa do ar em…. Ok, você entendeu?

Essa hora nunca vai chegar. Isso mesmo: nunca. Você nunca terá todas as condições perfeitas para iniciar um projeto. E ainda que tenha isso não é garantia de sucesso. Ter as garantias de início pode não ser (e muitas vezes não é) garantia de sucesso. Simplesmente porque é uma característica incrível da vida: ela muda. Sempre. E a condição favorável de hoje pode mudar amanhã. Seu papel não é esperar a condição, mas criá-la.

E é por isso que a minha pergunta pra você é simples: tá esperando o quê? Tá esperando o quê pra começar a cuidar da sua saúde? O próximo pico de pressão alta? Tá esperando o quê pra marcar aquele pulo de asa delta que você sempre sonhou? Ter tempo ou organizar sua agenda? Tá esperando o quê para enviar o currículo para aquela empresa que você sempre sonhou trabalhar? Ser demitido? Tá esperando o quê para procurar ajuda e mudar aqueles comportamentos que fazem as pessoas a sua volta sofrerem? Perder estas pessoas? Tá esperando o quê para iniciar aquele projeto que faria você uma pessoa muito feliz pelo simples fato de ter tentado? Entrar no desespero?

Gostaria que você fizesse o seguinte exercício: imagine que você morreu hoje. Isso mesmo, hoje. Um mau súbito. Ninguém esperava. Daqui a pouco várias pessoas estarão no seu funeral, elas estarão lá para se despedir de você. Todas estarão falando sobre a sua vida, sobre a imagem que você deixou para elas. O que será que elas estarão falando sobre você? Será que é a imagem que você gostaria de ter deixado? O que você gostaria que elas falassem de você?

Você acredita que as pessoas falarão aquilo que você gostaria de ouvir? Que bom! Continue assim! Continue fazendo aquilo que está fazendo! Ou você acredita que as pessoas falarão algo totalmente diferente do que você gostaria? Calma. Não entre em desespero. Se você acredita que elas não falarão isso, pense o que você pode fazer para ir atrás daquela imagem que você gostaria? Ela não é construída da noite para o dia, o seu “eu” melhor não vai surgir de hoje para amanhã. Ele será construído!

E não adianta esperar para construir amanhã, na semana que vem, depois do feriado… Não. Comece hoje, naquele horário vago que você utiliza para olhar redes sociais, compartilhar vídeos no WhatsApp, ler notícias que não trazem nada de relevante para sua vida. Hoje.

Hoje é segunda e seu tempo e dinheiro estão aí. É com essa realidade que você vai ter que lidar. Então, meu amigo e minha amiga: tá esperando o quê?

Sobre a importância de ter (e lidar com) Problemas

Você conhece alguém que se abala por qualquer acontecimento? Alguma pessoa que você tem medo de dar qualquer notícia ou informação ruim? Pessoas que parecem ter medo do mundo e evitam todo tipo de situação problemática? Pois esse texto é para elas (ou pra você).

O que são situações-problema?

Vamos resumir como uma situação na qual você não sabe muito bem o resultado final e pressente que pode vir um resultado negativo.

Pode ser também quando você age e não consegue obter aquilo que deseja ou por mais que faça as mesmas coisas que fazia antes os mesmos resultados não se repetem. De forma bem resumida, são situações desagradáveis que normalmente tentamos evitar.

Aparentemente, muitas pessoas enxergam nestas situações difíceis e frustrantes algo extremamente ruim e que deve ser evitado a qualquer custo. E esta maioria não está fazendo nada tão estranho, podem até fazer algo que é esperado…

Costumam estar acompanhadas de sentimentos negativos como angústia, medo, ansiedade, raiva, tristeza…. E dificilmente queremos ficar em contato com estes sentimentos, certo? Como disse ali em cima, tendemos evitar situações que despertem este tipo de sentimento.

19-02-2012 - Problemas

A importância dos problemas na sua vida

O problema é que ao evitar situações-problema podemos estar adiando o nosso desenvolvimento enquanto pessoa e, muitas vezes, a resolução de problemas que podem piorar ainda mais com o passar do tempo.

Gostaria que você fizesse o seguinte exercício: escolha um momento que você considera ter sido de grande desenvolvimento pessoal. Aquele momento que você olha pra trás e fala: “Ali parece que eu mudei de uma forma que eu nunca imaginei que seria capaz de mudar”.

Posso estar enganado, mas provavelmente foi uma situação em que você se deparou com sentimentos negativos e que teve que aprender a lidar com momentos nada agradáveis. Situações complicadas e problemáticas… Pode ser um momento de desemprego, o fim de um relacionamento de longa data, a mudança de estado, etc…

E se você tivesse evitado todos esses momentos? E se você tivesse decidido permanecer naquela situação em que estava, quem você seria hoje? Será que você seria uma pessoa mais ou menos preparada para lidar com os problemas que você tem enfrentado?

Veja que essas situações te prepararam, de alguma forma, para enfrentar e desfrutar a vida. Pois a vida apresentará situações difíceis a todo instante e quanto mais você as vivencia, maior é a sua habilidade para lidar com o mundo.

19-02-2012 - Desenvolvimento

Sendo assim, as situações-problema são extremamente importantes para que possamos aprender a viver e nos desenvolver, o que fará com que passemos por situações antes consideradas difíceis como sendo apenas mais uma situação.

Voltando para a situação que você imaginou ali em cima. Será que se você passasse por situação semelhante no dia de hoje, você sofreria da mesma forma? Ou será que já passaria por ela sem tantas dificuldades?

O perigo de evitar os problemas

A essa altura você já deve ter percebido que evitar entrar em contato com estas situações é evitar o seu desenvolvimento enquanto pessoa.

19-02-2012 - Medo

Afinal de contas, ao sabermos lidar com as mais diversas situações estaremos pavimentando o nosso caminho de modo a sofrer menos diante de situações semelhantes e deixando mais espaço para termos mais prazer ao longo de nossa vida.

Lógico que algumas situações são frustrantes, difíceis e muitas vezes não podemos fazer nada. Aprender a identificar este tipo de situação também é algo que precisamos aprender, para evitar sofrimento desnecessário ou apenas para conseguirmos aceitar que estas situações ocorrerão e não podemos fazer muita coisa para mudar.

Como diz um ditado:

Dê-me serenidade para aceitar as coisas que não posso mudar, coragem para modificar aquelas que posso e sabedoria para distinguir uma das outras

 

Como desenvolver a habilidade para lidar com os problemas?

Infelizmente (felizmente?), ninguém pode te dar esta habilidade. Ela é construída ao longo da vida, quando você enfrenta situações novas que te forçarão a aprender a lidar com os contratempos que a vida apresenta.

Em primeiro lugar, esteja atento a situações que estejam causando algum mal-estar. Identificar estas situações de forma clara já é um bom começo.

Em segundo lugar, aprenda a identificar se existe algo que você pode fazer para mudar a situação, identificando comportamentos claros que dependem de você, apenas de você.

Em terceiro lugar, avalie quais pessoas podem te ajudar a resolver situações mais difíceis, mas nunca esqueça que ajudar é diferente de resolver por você. Seus amigos e familiares ou qualquer outra pessoa podem te auxiliar, mas o responsável pela sua mudança é você.

Por último, busque constantemente situações que te desafiem, começando de situações menos problemáticas para as mais problemáticas. Lembre-se que adiar a resolução do problema ou ignorá-lo não fará com que ele suma.

Começar resolvendo pequenas situações pode te ajudar a ganhar mais confiança e a perceber que os problemas podem ser menores e mais fáceis de serem resolvidos do que você imagina.

Como costumo dizer aos meus clientes: a cada problema que a vida coloca no seu caminho ela está te dando uma oportunidade de se desenvolver e aprender ainda mais sobre como viver nesse mundo. Problemas não são o fim do mundo, são oportunidades de desenvolvimento!

Sendo assim, aproveite os seus problemas para se desenvolver ainda mais! ;)

 

Fonte das imagens:

http://goo.gl/Zflqyx

http://goo.gl/e7dVOQ

http://goo.gl/XLFwOp

O celular anda atrapalhando as suas interações?

A cena é comum. Você está conversando com uma pessoa e de uma hora pra outra ela para de responder.

- Fulano, você tinha que ver o que aconteceu. Eu estava no bar e passou aquela sua amiga que eu queria conhecer, lembra?

- Aham. Sim…

- Cara, você não vai acreditar no que aconteceu (*PLIM* barulho de mensagem). Eu estava lá e ela me deu uma encarada….

- (pausa de alguns segundos). Ahn, tava aonde?

- No bar, cara. Daí ela passou e (*PLIM*) eu resolvi (*PLIM* *PLIM* *PLIM*)… Fulano…”

Esta pessoa não tem um novo transtorno psicológico e não deu um piripaque do Chaves. Ela é mais uma que está mandando mensagens e curtindo as redes sociais enquanto tem uma interação ao vivo. Pode não parecer, mas isso tem trazido problemas para as interações sociais.

celular na testa

O que é uma Interação Social e quando ela é agradável?

Podemos dizer que duas pessoas estão interagindo e se comunicando quando a pessoa “A” emite uma informação e “B” compreende o que “A” disse através de sinais claros como: acenar com a cabeça, falar algo sobre o mesmo assunto, responder o que lhe é perguntado, executar o que “A” solicitou, rir, concordar, discordar, etc..

Interação não consiste apenas em uma pessoa falando enquanto a outra está ouvindo. Para que uma interação seja agradável é necessário que as pessoas consigam compartilhar informações em uma via de mão-dupla, preferencialmente em um clima ameno. Fundamentalmente, conversamos e falamos com outras pessoas por conta da atenção que recebemos.

Professores que tendem a ignorar o que os alunos falam acabam por fazer com que os alunos diminuam a quantidade de perguntas (e sejam considerados professores chatos, despreparados que precisam melhorar). Pessoas que respondem perguntas com respostas curtas e secas acabam por “diminuir a vontade” do outro em continuar perguntando e interagindo.

Note que a tal da comunicação e interação com outro ser humano não é simples. Não basta responder ao que é perguntado, é preciso demonstrar sinais de que está “prestando atenção”. A atenção é o combustível que mantém a conversa e a interação, sendo assim, não existe a menor possibilidade de ocorrer uma interação agradável se as duas partes não estiverem atentas umas as outras ou se a atenção ocorrer de forma intermitente (uma hora eu tenho, outra hora eu não tenho).

 Concorrência Desleal

Ok, ok, antes de prosseguir com o texto temos que admitir uma coisa: existe uma concorrência desleal. Ao termos acesso a redes sociais e troca de mensagens temos um monte de coisa interessante que podem ser vistas, compartilhadas e curtidas. Interagir com o celular é uma fonte de notícias sempre novas, piadas e vídeos interessantes a cada minuto e isto realmente vai concorrer a sua atenção com a pessoa que estiver a sua frente. Mas o que será que isso tem causado?

 Efeitos Colaterais

Quando comecei a escrever este texto ainda não sabia da existência desse estudo, mas como acompanho o excelente blog do Dr. Cristiano Nabuco acabei descobrindo que saiu o primeiro estudo sobre o efeito que este comportamento tem no cônjuge.

Na verdade, o ato de “ignorar o outro” tem um nome específico, o “Phubbing”: a junção de phone (telefone) e snubbing (esnobar).

O que o estudo demonstrou é que o tempo livre dos casais tem sido afetado por este tipo de comportamento e que isto parece estar associado à insatisfação geral com o relacionamento.

Não sei de estudos que falam sobre as consequências deste comportamento para outros relacionamentos, mas imagino que o efeito seja parecido, a saber: “esnobar” alguém ao utilizar o celular causa incômodo e atrapalha a sua satisfação geral com este relacionamento.

 O que fazer?

– Se você faz isso, tente reservar um tempo para cada atividade. Se for para interagir com quem está perto, interaja com esta pessoa e não com todas as outras das suas redes sociais.

– Se precisar utilizar o telefone, avise a outra pessoa e interrompa a conversa, faça o que precisa ser feito e depois volte a conversar.

– Se você interage com alguém assim, demonstre que ESTE COMPORTAMENTO está te incomodando e que você gostaria de aproveitar mais a companhia desta pessoa sem tantas interrupções.

Se alguém “puxar a sua orelha”, avalie se isto realmente não está ocorrendo de maneira excessiva.

Por último, e não menos importante, aproveite mais os seus momentos off-line. Navegar na internet, trocar piada, fotos e vídeos são atividades prazerosas? Sim, mas dificilmente serão mais prazerosas do que a interação na “vida real”.

fale ilimitado

O Perigo de Estabelecer Objetivos

Diversos estudos¹ mostram que estabelecer objetivos claros e precisos auxilia na melhora do seu desempenho. Eu mesmo já falei como você pode se conhecer para, em seguida, estabelecer seus objetivos e também formas de aumentar a chance de alcança-los.

Entretanto, vou abordar algo que eu vejo acontecendo com algumas pessoas que acabam desistindo no meio do caminho porque não conseguem cumprir o que estabeleceram.

Eu até comecei bem, mas é que…

A maioria das pessoas costuma começar bem a caminhada em busca de seu objetivo. É relativamente fácil começar a salvar um pouco de dinheiro, ou dar aquela caminhada nos primeiros dias, manter uma rotina de estudo no início do semestre.

Até que um belo dia as coisas desandam. É um tal de “Hoje eu tenho direito…” pra cá e “Só vou fazer isso hoje e amanhã volto ao normal” pra lá e quando menos esperamos a pessoa volta a se comportar da forma como se comportava anteriormente e o objetivo é deixado de lado.

Efeito contrário

Para algumas pessoas, desviar um pouco do rumo estabelecido pode ser extremamente frustrante e fazer com que ela reafirme que “nunca vai conseguir”. É como se estabelecer o objetivo tivesse o efeito contrário para ela.

Talvez por traçar planos e ideias de como tudo vai ser tão perfeito, uma vez fora desse ideal a pessoa julga que não é capaz de dar continuidade no restante do processo. Normalmente muitas pessoas acreditam que o caminho até o objetivo estabelecido vai ser bem assim:

12-01-2015 - OBJETIVO EM LINHA RETA

Infelizmente a maioria dos relatos de sucesso costuma ocultar os momentos de medos, incertezas, falhas e todo o resto. Parece que as pessoas que alcançaram seus objetivos são de outro planeta! Acordam sempre pulando de alegria, rosto lavado, dispostas a combater tudo e mais um pouco. E nós, coitadinhos, acordamos remelentos, com sono, cansados e pensando em 1001 desculpas para não fazer o que planejamos.

Acontece que o seu caminho até alcançar o seu objetivo é mais ou menos assim, ó:

 12-01-2015 - OBJETIVO REAL

Mas acorde! Não há nada errado em não conseguir alcançar seu objetivo do jeito que você vê nas redes sociais e filmes motivacionais perdidos por aí. Imagine que você se comporta da mesma forma há mais de 20 anos e decide mudar hoje: é provável que uma vez ou outra você acabe não conseguindo seguir o plano na forma exata que planejou, mas isso não é motivo para desistir de tudo o que você queria!

O que fazer então?

Quando você não consegue cumprir o que planejou, algumas perguntas podem ser feitas:

  1. Será que seu objetivo não foi definido de forma TÃO GRANDIOSA que você acabou achando que não ia conseguir alcançar “o ideal” de forma alguma mesmo e considerou melhor parar logo?
  2. Se você não definiu de forma grandiosa, quais foram os motivos/desculpas que te fizeram não executar o planejado? Enumere-as e pense em soluções.
  3. Foi um evento esporádico e que você realmente não tinha controle ou existia alguma coisa que você poderia fazer?
  4. O que você poderia fazer diferente para o(a) próximo(a) dia/ semana/mês para alterar esta situação? Lembre-se de tentar pensar de forma processual!

Mudar é algo constante e exige sempre que você observe a situação atual, planeje as mudanças, execute-as, verifique-as e corrija o que saiu errado.

Aqui, vale aquela famosa frase:

“Calma, é aos poucos que a vida vai dando certo”.

Em alguns casos, um profissional qualificado pode auxiliar nesse processo de mudança. Através de observações, perguntas e descrições de características que você, sozinho, não consegue fazer e também para te auxiliar nestes momentos mais difíceis! Mas lembre-se sempre que mudar é um exercício, sendo assim, pratique um pouco todos os dias. ;)

Pense e depois prometa.

Bom dia, boa tarde e boa noite! E cá estamos nós! Ano novo, motivação renovada e continuamos a ver as pessoas fazendo promessas disso e daquilo. Vão estudar mais, fazer exercícios, ter mais tempo para os filhos, blablabla…

1 mês depois e nós sabemos que mais da metade dessas promessas ficarão pelo caminho ou serão adiadas para depois do Carnaval e depois para depois da Copa, depois da eleição…Epa!  Espera aí!

Mas todo início de ano é a MESMA COISA. Dê uma olhada no calçadão da minha cidade neste início de ano. Está lotado! E não apenas lotado, mas lotado de pessoas fazendo atividades físicas!

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Aproveitando que isto acontece todo ano e que várias promessas são feitas, deixa eu te dar um aviso: pense e depois prometa.

Como assim pensar?

Este é um texto para que você pense ANTES de estabelecer as metas. Para isso, vamos pensar no passado.

Isto é algo que poucas pessoas falam, mas que é de fundamental importância. Embora existam algumas regras gerais de como atingir um objetivo ou de como cumprir o que prometeu, você pode não se encaixar nestas regras.

O grande problema é que se você não conseguir atingir os seus objetivos de acordo com a “receita de bolo” que foi passada, você pode passar a se culpar, desanimar e deixar as coisas pelo meio do caminho, mas isso é assunto para outro texto.

Enfim, PENSAR nada mais é do que se conhecer para tentar adequar as regras gerais a sua realidade. Então, vamos pensar?

Recordar é viver…

Vamos pensar! Quando foi a última vez que você conseguiu modificar algo que você tinha muita vontade de mudar? Pode ser algo que você tenha prometido, estabelecido como meta ou algo que você simplesmente conseguiu modificar sem ter que prometer nada.

Mas escolha algo bem claro que você conseguiu: parar de fumar, parar de beber, passar a fazer exercícios, mudar de emprego. Pensar apenas em alguns pontos já pode te ajudar.

Você consegue lembrar o motivo que te levou a buscar a mudança? Foi a opinião de alguém importante pra você? Ou foi porque você se informou e viu que precisava mudar? Você viu o exemplo de alguém e decidiu mudar?

Você foi levado pelo prazer ou pela dor? Resumindo: você mudou para evitar que algo ruim acontecesse (evitar ter problemas de saúde, evitar a frustração, etc.) ou porque estava buscando algo prazeroso (ter mais disposição para brincar com seus filhos, buscar maior reconhecimento profissional, etc). Nenhuma decisão costuma ser tomada levando em consideração somente o prazer ou a dor, mas alguns são mais motivados através da busca pelo prazer e outros através da evitação da dor. Descubra qual é O SEU ESTILO.

Você contou com a participação de outras pessoas? Será que você é uma pessoa que conseguiu mudar de forma mais fácil porque existiam poucas pessoas envolvidas ou precisou de mais pessoas envolvidas e te motivando?

Volte pro agora!

Talvez agora você já saiba como aumentar as chances de mudar alguma coisa que você quer. Pegue lápis/caneta e papel e escreva isso de forma clara. Por exemplo: veja se você tem algum motivo importante para modificar a situação atual. Se você é uma pessoa com sobrepeso, mas que está com todos os exames de saúde com bons indicadores, não se importa com a opinião que possam ter sobre você e isto não está gerando nenhum mal-estar ou comprometendo demais atividades que você queira fazer, pode ser difícil prometer “Este ano eu vou emagrecer 10 kgs”, correto?

Faça o mesmo com os outros 2 itens e agora você pode estar um pouco mais consciente para as dicas gerais que eu vou passar ao longo dessa semana. E se gostou, curta e compartilhe.

Até mais! ;)


Falando de Psicologia: O preço mental da riqueza |Tradução|

Adolescentes americanos de famílias ricas são mais propensos a ter maiores taxas de depressão, ansiedade e abuso de substâncias do que qualquer outro grupo socioeconômico de jovens, diz a psicóloga Suniya Luthar, PhD. Neste episódio, ela fala sobre as pressões enfrentadas pelos adolescentes ricos e o que os pais podem fazer para protegê-los de entrar em uma espiral de perda de controle.


Transcrição da Entrevista

Audrey Hamilton: Você já deve ter ouvido falar que o dinheiro nem sempre pode comprar a felicidade. Bem, isso é especialmente verdade para as crianças de famílias ricas que podem sentir-se pressionados para ter sucesso, tirar boas notas e serem “crianças modelo”. Neste episódio, a gente conversa com uma psicóloga que está ensinando seus próprios filhos como ser feliz sem depender de dinheiro. Eu sou Audrey Hamilton e este é “Falando de Psicologia“.

Suniya Luthar é uma professora de psicologia na Universidade Estadual do Arizona. Ela estudou a vulnerabilidade e resiliência dos jovens em situação de pobreza e de crianças e famílias afetadas pela doença mental. Seu trabalho mais recente se concentrou em crianças de comunidades abastadas. Bem-vinda, Dr. Luthar.

Suniya Luthar: Ah, obrigado por me receber.

Audrey Hamilton: A depressão é muito comum entre as crianças de famílias ricas? Você sabe, como é que estas taxas de depressão se comparam às crianças de famílias de baixa renda?

Suniya Luthar: O que encontramos são taxas de cerca de um e meio a duas vezes e meia mais altas quanto as amostras nacionais normativas de problemas como sintomas depressivos, sintomas de ansiedade e taxas ainda mais elevadas de problemas do uso de substâncias – que seria álcool, maconha e até mesmo as drogas pesadas.

Audrey Hamilton: Wow, então, quando você estava estudando isso, foi um achado surpreendente para você?

Suniya Luthar: Ah, foi muito surpreendente. Na verdade, eu tropecei em cima desses achados quase por acidente. Meu primeiro estudo sobre jovens de classe média mais alta foi realizado essencialmente para procurar um grupo de comparação para as crianças do centro da cidade e ao fazer esta comparação que encontramos, para minha surpresa, que as crianças chamadas “privilegiadas” ou “ricas” estavam indo muito mal – de novo, principalmente sobre o uso da substância, mas também sobre a depressão e ansiedade. Então, isso foi por volta de finais dos anos 90 e desde então temos seguido a trilha e replicado estes achados repetidamente.

Audrey Hamilton: O que você encontrou para ser a razão por trás desses números elevados? Você pode descrever a pesquisa um pouco mais em detalhe nesta área?

Suniya Luthar: Sim. As pessoas têm uma tendência a dizer “Oh, é o pais”, e eu não consigo pensar em algo que é mais equivocado do que culpar os pais ou as escolas. Não há um único fator que vai explicar tudo isso. É um problema que deriva de múltiplos níveis. Vamos começar com a sociedade americana e quais são nossos valores. “Mais é melhor: Vá em frente,” o título do meu último capítulo; Posso, portanto, devo – se você pode, portanto, você deve conseguir mais e seguir em frente. Portanto, isto começa no nível da sociedade, então ele vai para as escolas, ele vai para as universidades. O que é que as pessoas que fazem admissões valorizam ao fazer as seleções? É tudo sobre realizações e conquistas. Portanto, a questão de fundo é que não é apenas a família, não é apenas a criança, é a cultura em que vivemos. As universidades, as escolas. Todo mundo se unindo para reforçar que uma grande mensagem. Se você pode, portanto, você deve. Não pare.

Então, como isso se relaciona com problemas de depressão, abuso de substâncias? Pressão de alcançar. Veja, se o seu senso de autoestima fica amarrado em quanto você pode realizar, duas coisas acontecem – um é se você não conseguir, você se sente pequeno, inadequado, ruim, o que você tem. E o outro é que você vive em um estado de medo de não conseguir. Se eu posso dizer a mim mesmo que eu sou uma boa pessoa, porque eu sou uma boa mãe, um bom amigo, é uma coisa. Se eu digo a mim mesmo que eu sou uma pessoa boa na medida em que eu recebo esse grandeza mista, “Eu fico famoso ou recebo essas homenagens”, eu estou vivendo no medo. Estas são coisas que não são tão muito no meu controle, como são coisas como ser uma boa mãe ou ser um bom amigo. Então, viver neste estado constante de tensão, medo, se eu não conseguir, o que vou ser é algo que nos coloca em um estado de ansiedade e os fracassos e um estado de depressão. Para medicar, automedicar esses sentimentos de ansiedade e depressão, infelizmente, muitas das nossas crianças estão se voltando para drogas e álcool, assim como nós, seus pais.

Audrey Hamilton: O seu conselho é que os pais abastados diminuam as pressões que colocam em seus filhos ou como é que eles vão equilibrar a necessidade de sucesso com a saúde mental?

Suniya Luthar: Em termos de conselho para os pais, eu estou pensando lá atrás quando nós começamos a fazer pesquisas aprofundadas sobre famílias e pobreza. Certo? Agora, mães em situação de pobreza que vivem no centro da cidade onde existe muita violência e assim por diante, têm que trabalhar duro para ter certeza que as crianças não sairão para lugares perigosos depois de escurecer. Isso se torna quase que extramente importante para se prestar atenção.

Da mesma forma, nós, pais nas sociedades de classe média temos um trabalho duro para garantir que nossos filhos tenham um sistema de valores equilibrado. Que eles não são apenas sobre “quem eu posso ser”, “até onde posso ir a qualquer custo”. Mas eles estão investidos igualmente, se não mais, em ser uma pessoa decente, amável e investidos no bem da humanidade e não apenas neles mesmo?

Para resumir, assim como os pais do “centro da cidade” precisam ter um trabalho duro para manter os filhos fisicamente seguros e longe de problemas com gangues, nós, famílias da classe média, precisamos trabalhar duro para assegurar que nossas crianças não sejam varridas com este sentimento de “Eu preciso fazer mais” e continuarmos fundamentados em decência, bondade e verdadeira compaixão e preocupação com a humanidade.

Audrey Hamilton: E isso, por sua vez, irá afetar o seu próprio bem-estar?

Suniya Luthar: Totalmente. Há muitos e muitos estudos dizendo que se você é bom, misericordioso e amável, que isso ajuda o seu próprio bem-estar. O altruísmo ajuda você a se sentir melhor sobre si mesmo. Há estudos que mostram que o bem-estar psicológico é melhor. Há estudos fisiológicos que mostram isso. Então, sim, fazer pelos outros faz você se sentir bem. Bem, isso é uma coisa.

Fazer para os outros também, obviamente, fortalece suas conexões com os outros. Apenas o simples ato de generosidade ou altruísmo vai fazer você se sentir melhor, você mesmo. E a segunda coisa é que você vai fortalecer suas relações com as pessoas para quem você está fazendo o bem. Eles vão apreciá-lo. E há uma outra ligação social mais forte na sua rede social.

Audrey Hamilton: Que outros problemas de saúde mentais e comportamentais que você vê entre as crianças e os pais de famílias mais privilegiadas? Qualquer coisa além de depressão? O abuso de substâncias?

Suniya Luthar: Sim. Se eu fosse para ir por ordem, os problemas que temos visto entre as crianças de classe média alta estão começando com álcool e uso de drogas, depressão, ansiedade. Agora, aqui está uma que realmente me assustou – altos níveis de quebra de regras. Agora estamos falando de atos de delinquência. Encontramos níveis comparáveis, na verdade, para os níveis em configurações urbanas. A única diferença é crianças de locais mais pobres estão fazendo coisas como portar armas ou entrar em uma briga e assim por diante, o que poderia ser potencialmente para autoproteção em gangues.

Nossas crianças de classe média alta estão fazendo coisas como roubar de um amigo ou roubando de um dos pais ou desfigurar propriedade. Como eu disse, atos de delinquência. E estas taxas são muito mais elevados – 2-2 vezes e meia elevadas com relação às taxas médias na América.

Depois , há inveja, particularmente entre as nossas meninas. Níveis de inveja dos colegas são muito mais elevados do que encontramos entre as meninas mais pobres ou meninos e rapazes de classe média alta. Por alguma razão, as nossas meninas estão mostrando problemas em vários domínios. Portanto, não é apenas a depressão, a ansiedade, os problemas tipicamente femininos, mas também as mais tipicamente masculinas, problemas de uso de drogas e álcool e quebra de regras. É muito preocupante.

Como os pais podem ensinar os filhos a ter este sistema de valores equilibrado? E minha resposta, quase que invariavelmente, é, você sabe o quê, nós realmente não podemos ensinar. O que temos de fazer é dar exemplo. Então, eu posso dizer aos meus filhos até que a vaca tussa para ser uma boa pessoa. Mas, se eu estou cortando a fila na mercearia, sendo imprudente com os professores das crianças, com o jardineiro da família, qualquer que seja, isso é o que as crianças aprenderão. Eles não irão pegar o que você diria a eles. Eles pegam o que você faz.

A segunda coisa é que precisamos estar muito consciente sobre os nossos próprios valores. Veja, é muito fácil para nós para dizer “Agora, eu realmente quero que meu filho seja uma boa pessoa.” Mas, dê um passo para trás e diga se o seu filho não entrar no time de basquete, se a criança não entrar no grupo de leitura avançada, talvez você mesmo com uma ligeira sobrancelha levantada, um ligeiro gesto, pode estar transmitindo “Estou decepcionado”?

Veja, nós caímos nessa armadilha sem perceber, por vezes, que estamos transmitindo a eles que isso não é tão direta ou evidente como dizendo, “Oh meu Deus, você tem cinco notas A. Por que o B?”. Você pode ser muito mais sutil e dizer apenas: “Isso é agradável, e o que Jimmy como foi? Como ele fez?”.

Audrey Hamilton: Deixando a impressão de competição.

Suniya Luthar: Exatamente. Isso significa que, por sua vez, nós precisamos de olhar mais profundamente a nós mesmos. Muitos de nós, em nossas famílias de classe média alta, estamos trabalhando duro. Nós atingimos níveis de realização profissional e assim por diante, que significam muito para nós. Se eu sinto que o meu trabalho, a minha carreira me traz uma grande gratificação, em algum lugar de forma inconsciente,  eu quero que o meu filho tenha uma carreira de muito sucesso também para que ele ou ela pode ter a mesma satisfação.

Isso pode nos levar a mais uma vez, inadvertidamente, fazer e dizer coisas que não pretendíamos. Sim, é lindo o meu filho ter um PhD, mas você sabe, existem outras coisas na vida. Como costumo dizer aos jovens, incluindo os meus filhos quando estavam prestando o vestibular, você vai ter uma educação. Está tudo bem. Você vai ter uma educação. A vida não começa e termina em estar no topo.

Audrey Hamilton: Ótimo, bem, obrigado Dr. Luthar. Eu agradeço pelo seu tempo.

Suniya Luthar: Muito obrigado. O prazer foi meu. Muito obrigado.


 

Transcrição e áudio originais aqui.

Psicoterapia é coisa de homem.

Por muitos anos a ideia de buscar auxílio em um profissional da psicologia foi visto por algo como exclusivamente feminino. De certa forma, é como se fosse característico das mulheres buscar alguém para  “conversar sobre as mazelas da vida”.

Entretanto, esta não é uma crença que simplesmente brotou em nossa cultura e que reflete a realidade.  Os homens têm sofrido cada vez mais e precisamos discutir um pouco mais sobre este sofrimento.

Homem não chora?

Desde muito novos somos bombardeados por várias afirmações que criam o modelo ideal de como ser homem. Algumas características parecem permear nossa realidade, descrevendo o homem como uma pessoa que “não chora”, não perde tempo falando de sentimentos ou discutindo a relação. O típico “machão” que tem que aprender a se virar, independente da situação.

Veja, por exemplo, o vídeo abaixo da bela tentativa de uma criança tentando acalmar o irmão:

Outras situações também trazem problemas, principalmente quando vamos para o mundo dos relacionamentos amorosos. Problemas ligados a forma e necessidade de “discutir a relação”, disfunções sexuais, falta de habilidade para lidar com assuntos “delicados” e vários aspectos de uma vida a dois que, segundo a cultura, um homem de verdade não tem que se preocupar. Tudo isso pode gerar sofrimento, ainda que alguns aspectos culturais afirmem o contrário.

Todas estas informações vão moldando a forma como agimos diante das situações. Em uma situação de sofrimento, por exemplo, um homem pode optar por ficar quieto e não buscar qualquer tipo de ajuda, uma vez que homem “não tem dessas coisas” e o homem que fica assim “é fresco”.

 Os homens estão sofrendo.

Recentemente uma matéria relatou como os homens estão lutando para lidar com a vida. Mas afinal, de onde vem o sofrimento?

Normalmente, sofremos quando o ambiente apresenta mais problemas e dificuldades do que temos habilidades para lidar. É como se existisse uma balança: de um lado as situações difíceis e/ou problemáticas e do outro as habilidades. Quando problemas e habilidades estão equilibrados, dificilmente sofremos. Mas quando temos esta balança pendendo para as situações problemáticas e/ou difíceis, o sofrimento costuma aparecer.

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Mas é importante que fique claro que o sofrimento em si não é um problema. É a forma de lidar com este sofrimento que pode ser mais ou menos adequada e gerar bons ou maus resultados. A pesquisa realizada pela ONG CALM (Campaign Against Living Miserably) demonstrou alguns dados preocupantes:

  • 78% dos casos de suicídio na faixa etária de 20 a 49 anos, no Reino Unido, são de pessoas do sexo masculino.
  • Este número tem aumentado entre os homens e declinado entre as mulheres.
  • 74% das mulheres relataram buscar ajuda diante do sofrimento e apenas 53% dos homens o fizeram.
  • 69% preferiram lidar com seus problemas por si só.
  • 42% dos participantes do sexo masculino disseram acreditar que o homem é o “maior responsável” por ser emocionalmente forte em situações críticas, opinião compartilhada por cerca de 17% das mulheres.

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A reportagem completa pode ser vista aqui, mas algo fica claro: o mundo parece estar exigindo mais do que os homens estão conseguindo lidar. Some a isto o fato de que muitos homens não sabem como procurar ajuda e, mais importante, não sabem que PODEM procurar ajuda.

Psicoterapia é coisa de homem

Apesar de o folclore popular afirmar que a psicoterapia é um lugar para “reclamar da vida” isto não é realidade. Se a única função da psicoterapia fosse “reclamar da vida”, as diversas redes sociais já teriam feito com que a profissão de psicólogo (a) fosse extinta.

Buscar ajuda em outras pessoas (amigos, família, profissionais, etc.) é algo saudável e que pode ser necessário em alguns momentos da vida. A psicoterapia é um processo através do qual você se permite analisar as situações pelas quais tem passado através de outras perspectivas, buscando achar soluções e novas formas de lidar com os problemas que a vida tem lhe apresentado. É uma busca constante pelo seu bem-estar!

Para muitos homens, o simples fato de sentar e conversar sobre os seus problemas com alguém que não vai usar isto contra ele ou que não vai julgá-lo menos homem por estar falando sobre seus problemas já pode significar um grande alívio!

Além disso, a psicoterapia é um espaço para fazer o que vários homens afirmam que gostam de fazer: enfrentar o problema de frente.

Sendo assim, se a situação começar a ficar difícil, seja um homem esperto: busque ajuda!

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Será que você ama demais?

O problema é que eu amo demais!“, afirma Mariana*. “Eu não consigo me imaginar sem ele e tenho medo que qualquer coisa possa nos separar! Ai de alguma daquelas vagabundas que ele conhece tentar alguma coisa…“.

Ela é tudo o que eu tenho na minha vida!“, afirma Carlos*. “Eu não sei o que faria se alguém ousasse tentar nos separar! Não sei do que eu sou capaz quando penso na possibilidade de perde-la!“.

As falas acima foram criadas para ilustrar algo que, em nossa cultura, é visto como sendo “amor em excesso“. Apesar de terem sido criadas por mim, é comum conhecermos pessoas que falam as mesmas coisas com outras palavras.

O grande problema, na maioria das vezes, é como isto tem sido relatado pela pessoa que passa por esta situação e também em como nossa cultura rotula estas atitudes e sentimentos.

Meu objetivo com este texto é deixar bem claro que a forma como rotulamos esta situação pode favorecer ou impedir a busca por ajuda no tempo necessário, antes que problemas maiores ocorram.

 O que é amor?

“Se perguntar o que é amor pra mim

Não sei responder

Não sei explicar”

O amor é um sentimento difícil de definir, correto? Vou explicar o amor através de uma perspectiva que não encerra as outras definições possíveis. Basicamente temos 3 pontos essenciais (darei maior atenção ao 3º).

  1. Nossa espécie nasce com a capacidade de amar. A espécie humana é capaz de se apegar a outras pessoas, animais e objetos, criando esta ligação e cuidado com o “alvo” do amor. Isto é a base de onde precisamos partir: nascemos com a capacidade para amar. Todos nós temos hormônios, estruturas cerebrais e tantas coisas mais que estão envolvidas no amor.
  2. Nossa vida se encarregará de definir o que é amar, o que podemos fazer quando amamos, como tratamos uma pessoa quando amamos. Aprendemos muito sobre como amar em nossa primeira infância, mas não somente nela. Estamos aprendendo durante toda a vida, sendo assim é normal que acabemos por mudar nossa concepção do que é amor e do que fazemos quando amamos conforme temos relacionamentos diferentes, conversamos com amigos e outras pessoas sobre o que é amar e, afinal de contas, amando.
  3. A forma como a nossa cultura descreve o que é amor interfere na forma que avaliamos a nossa forma de amar. É comum escutarmos frases como “se não tem ciúme é porque não ama” ou “Isso é amor demais!”. Diante do que nossa cultura considera normal avaliamos se estamos dentro ou fora da “normalidade” e se precisamos ou não fazer algo a respeito. Temos, nos programas televisivos, uma excelente chance de analisarmos o que é considerado normal ou não e darei atenção a um programa específico: “Eu que amo tanto“.

 Eu que amo tanto

Lá estava eu, domingo passado (16/11/2014), curtindo o fim do final de semana e começou a passar um episódio desta série que está sendo exibida no Fantástico. A personagem de Susana Vieira se apaixona por um homem mais novo, algum tempo depois de passar pela morte do seu marido.

Este novo amor vai se desenrolando e a personagem ficando cada vez mais obsessiva, brigando, terminando o relacionamento, atacando as novas parceiras de seu ex-companheiro até chegar ao ápice do episódio: ela assassina o ex-companheiro.

Ao fim, presa, sem maquiagem e demonstrando estar totalmente acabada, ela dá o seu depoimento:

“Eu matei, eu matei mesmo. Eu matei porque eu amava demais esse homem. Eu só queria que ele me amasse. Eu só queria que ele voltasse pra mim. Será que isso é pedir demais? Será? Se ele não fosse meu ele não seria de mais ninguém. De mais ninguém!”

Entra a música com Milton Nascimento cantando “O que será que me dá, que me bole por dentro, será que me dá?”.

Fim do episódio. Nada mais é falado pelos apresentadores. Nem o rapaz que diz “Este medicamento é contraindicado no caso de suspeita de dengue” aparece para fazer um alerta sobre o que as pessoas acabaram de ver. Um direcionamento. Nada.


O seriado acabou trazendo alguns pontos que merecem atenção:

  • Pontos Positivos: traz a tona um assunto que costuma ser deixado de lado, que são pessoas que cometem loucuras em seus relacionamentos, tamanha a dependência que desenvolvem do outro.
  • Pontos Negativos: não sei se é algo que apenas eu senti, mas o episódio parece considerar a situação exibida até normal. De certa forma considera como “loucuras de amor”. Além disso, iguala uma situação de “total dependência” ao “sentimento de amar”.
  • Ponto Extremamente Negativo: a motivação do assassinato é relacionada ao “amor demais” e fica por isso mesmo. Nada mais é abordado, nenhum direcionamento de tratamento para as pessoas que passam por isso.

Existe uma enorme diferença entre uma “relação de dependência” e uma “relação de amor” e tais diferenças precisam sempre ficar claras. Não é porque temos algumas características em comum que podemos considerar as duas situações como sendo amor.

Relações de amor servem para que as pessoas envolvidas sintam-se bem e complementem os demais “setores” da vida da pessoa. Relações de dependência costumam servir para ocupar o espaço deficitário dos outros setores da vida da pessoa.

Em relações de amor prezamos pelo respeito e bem-estar da outra pessoa. Em relações de dependência notamos que a pessoa preza pela permanência da outra ao seu lado, custe o que custar.

Em relações de amor sentimentos como ciúme e insegurança podem surgir, mas costumam ser resolvidos através do diálogo. Em relações de dependência estes mesmos sentimentos tendem a incomodar tanto que o diálogo parece ser impossível, podendo se transformar em transtorno de forma muito rápida.

Sugestão

Dado o investimento que a Globo fez para produzir esta série, seria interessante que o assunto não ficasse tão solto. Alguns comentários poderiam ser feitos para deixar claro que as situações em questão não representam “amor demais”.

Afinal, qual seria a solução para o “amor demais”? Será que o problema está no sentimento em si ou em alguns comportamentos extremados que a pessoa exibe e que não retratam o amor de forma alguma? Retratar estes casos como problemas a serem resolvidos seria diferente. Problemas comportamentais/psicológicos, como dependência afetiva, insegurança exacerbada e etc. podem ser modificados.

Com o tratamento adequado a personagem de Susana Vieira talvez pudesse, maquiada e toda revigorada, dar o seguinte depoimento:

“Eu matei, eu matei mesmo. Matei aquele sentimento de dependência que existia dentro de mim. Entendi que as pessoas não são objetos e que elas não pertencem a outra pessoa. Naquele exato momento em que eu percebi que estava sofrendo demais, resolvi procurar ajuda e consegui modificar a situação em que eu estava. Ele? Sabe que eu não sei o que ele está fazendo da vida? Mas a minha eu sei que vai muito bem.”

*Nomes fictícios.


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O que a nova função do WhatsApp pode dizer sobre você?

Não bastasse a função que indicava qual o último horário em que você acessou o WhatsApp, agora ele avisa quando você leu a mensagem que te enviaram (http://goo.gl/sQSlPD). A primeira função pode ser retirada, mas o mesmo não pode ser feito com a nova função.

Isso causou tanto alvoroço e desagradou tantos usuários, que os sites rapidamente publicaram uma forma de visualizar a mensagem sem que a outra pessoa saiba (http://goo.gl/KMkdnx). Mas calma aí… Será que esta preocupação deveria mesmo ser tão exagerada?

Bem, para mim esta preocupação excessiva pode estar denunciando falta de habilidade das pessoas para ter relacionamentos interpessoais saudáveis. Tais habilidades são conhecidas como habilidades sociais e quando não são bem desenvolvidas podem gerar sofrimento e/ou mal-estar em situações cotidianas, como ao utilizar um simples aplicativo de troca de mensagens.

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 Mas o que são habilidades sociais?

As habilidades sociais são definidas como “… um conjunto de comportamentos emitidos por um indivíduo em um contexto interpessoal que expressa sentimentos, atitudes, desejos, opiniões ou direitos desse indivíduo de modo adequado à situação, respeitando esses comportamentos nos demais, e que geralmente resolve os problemas imediatos da situação enquanto minimiza a probabilidade de futuros problemas” (Caballo, 2006).

Ou seja, são comportamentos utilizados em nossa interação com outras pessoas, situação esta em que precisamos saber expor nossos sentimentos, vontades, concordâncias, discordâncias e por aí vai…

Ser socialmente habilidoso faz com que você resolva os problemas em suas relações interpessoais e diminua as chances de problemas futuros. Não somente isso, tais habilidades costumam produzir relacionamentos mais agradáveis, fazendo com que estes tornem-se fonte de bem-estar.

O que isso tem a ver com o WhatsApp?

A nova função do WhatsApp parece ser um transtorno porque o fato de ver uma mensagem e não responder pode ser sinônimo de problemas no relacionamento interpessoal.

Mas será que isso é um problema de verdade ou está demonstrando a falta de habilidade tanto de quem envia quanto de quem recebe uma mensagem, visualiza e não responde?

 Parte 1 – A Falta de Habilidade de Quem envia a Mensagem

Suponha que você enviou uma mensagem e depois de um tempo você tem certeza que a pessoa visualizou e não respondeu. Talvez você mande outra mensagem questionando e querendo saber por qual motivo a pessoa não respondeu… Talvez isto gere até certa irritação em você e você acabe descontando na pessoa, certo? Mas será que isso está certo?

nao adianta fingir de desmaiada

Com as novas tecnologias, “novas” habilidades são necessárias. Uma delas é a de entender que a outra pessoa tem o direito de visualizar sua mensagem e responder em outro momento. A pessoa “do outro lado” pode ter “n” motivos para não ter respondido sua mensagem e “se irritar” antes de saber o que aconteceu pode indicar uma falta de habilidade em gerenciar esta situação.

Além disso, vale a pena avaliar alguns pontos:

  1. A mensagem precisa de uma resposta imediata?
  2. O horário que você está enviando a mensagem é um horário mais conturbado pra pessoa (horário de trabalho, atividade de lazer específica, etc.)?
  3. Existem outros motivos que estão te fazendo ficar mais apreensivo com um simples atraso de resposta? Será que você está inseguro(a) com alguma coisa? O que mais pode estar te incomodando?

Uma dica é avaliar os pontos acima e também que você faça outra coisa além de ficar esperando a resposta da mensagem que você enviou. Enquanto espera a resposta e busca os mais diversos motivos, pode acabar por se perder em seus pensamentos e acabar criando problema onde não existe.

Se, em último caso, você resolver questionar por qual motivo a pessoa não te respondeu, lembre-se de que perguntar também é uma habilidade social e existe uma diferença entre perguntar e acusar ou fazer um interrogatório. O objetivo da pergunta é entender o motivo da “demora” e não criar problemas imediatos ou futuros.

 

Parte 2 – A Falta de Habilidade de Quem Recebe a Mensagem

Mas e o outro lado? Será que ela pode acabar se atrapalhando por não ter algum tipo de habilidade social?

A pessoa que recebe a mensagem pode não ter habilidade social para lidar com a exigência de quem manda a mensagem e exige a resposta imediata. Na verdade, algumas pessoas acabam por acreditar que não têm direito a fazer isso!

Diante disso, passam a ficar apreensivas ao receber mensagens e não responderem, podendo ter alguns setores da vida atrapalhados diante de tamanha apreensão sobre o que o outro vai pensar se ele(a) não responder.

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A primeira coisa que você precisa saber é: você tem o direito de não responder “na hora”. Isso mesmo: isso é um direito que você tem. Se a mensagem não é urgente, por qual motivo você TEM que responder na hora?

Mas, como eu costumo dizer, devemos desenvolver habilidades para lidar com a falta de habilidade das outras pessoas. Uma habilidade fundamental é a de saber expor seu ponto de vista, deixando claro seus “sentimentos, atitudes, desejos, opiniões ou direitos”.

Ao saber se expressar, você poderá deixar claro para a outra pessoa os limites das cobranças aceitáveis e também que em alguns momentos você apenas visualizou a mensagem e não teve tempo de responder ou até mesmo que preferiu responder em outro momento, ainda que tivesse tempo.

A falta de habilidade em delimitar as cobranças que podem ser feitas para você pode ser algo que contribui para os problemas que você tem devido às exigências sem fundamentos.

Deixe claro o que você deseja e busque entender se a outra pessoa está cobrando apenas a resposta imediata ou se existem outros motivos que estão dando origem a esta cobrança. Saber perguntar e identificar o real problema em uma discussão também é uma importante habilidade a ser aprendida.

Conclusão

Com as novas tecnologias, surgem novas possibilidades de interação e de estreitamento dos laços interpessoais, bem como um aumento das interações sociais. Com o aumento dessas interações, torna-se ainda mais necessário que você tenha habilidades sociais ainda mais desenvolvidas! Afinal, não somente a chance de interações agradáveis aumentam, mas também a chance de que novos problemas ocorram.

Por fim, entenda que existe uma diferença entre o que você deseja e o que o outro pode oferecer. Encontrar este equilíbrio é o segredo das relações interpessoais agradáveis e bem-sucedidas.


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