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Curso “Intervenção Clínica com Pacientes em Risco de Suicídio”

Olá, tudo bem? Meu nome é Diego Souza e sou psicólogo aqui em Vila Velha e Vitória. Há alguns anos estou trabalhando na área clínica e parece que quanto mais o tempo passa, mais casos desafiadores vão aparecendo. E casos envolvendo risco de suicídio são alguns deles.

Há cerca de 2 anos atrás tive a minha primeira experiência com uma pessoa que chegou em meu consultório e disse “Estou pensando  muito em suicídio e a vontade tem sido cada vez maior“. Tentei agir com a maior naturalidade possível, mas ali, naquele exato momento descobri uma coisa: não estava preparado para lidar com aquela demanda. Não naquele exato momento.

Percebi que durante a minha graduação não falamos quase nada sobre isso. Não aprendi nada. Não fui preparado para lidar com uma demanda que envolvia: não quero mais viver. Aprendi a lidar com pessoas que queriam viver, apesar do sofrimento!

Fiz a sessão, me assegurei de alguns riscos, contato de emergência e etc. (acabei fazendo algumas coisas certas sem nem saber que eram certas). Mas ao sair da sessão a primeira coisa que eu fiz foi enviar uma mensagem para o meu amigo Tiago Zortea, que estava estudando bastante sobre suicídio. E foi com ele que tive acesso à uma nova perspectiva no atendimento de pessoas em risco de suicídio.

E nesses últimos 2 anos, vira e mexe trocamos algumas mensagens, ele me indica material de leitura, ás vezes uma mensagem com uma curiosidade se transforma em uma conversa de horas e finalmente não serei o único presenteado com o conhecimento dele via conversas de WhatsApp. Isso porque vamos promover um curso dele aqui no estado e você está mais do que convidada(o).

Curso Tiago

Seguem as informações:

Público alvo: Profissionais/Estudantes de Psicologia, Psiquiatria e Psicoterapia.

Data: Sábado, 13 de Janeiro de 2018.

Horário: 09:00 – 16:30

Descrição: Este curso visa explorar aspectos teóricos e aplicados do trabalho clínico com pacientes em risco de suicídio a partir dos achados de pesquisas internacionais mais recentes em suicidologia.

Investimento: R$ 150

Inscrições:
Para se inscrever basta enviar um e-mail para [email protected] que confirmarei a disponibilidade de vagas e passarei os dados para pagamento.

Diego F. Souza | 27 99817 9281 |

Certificado: o certificado de 6 horas será enviado por e-mail na semana seguinte ao evento.

Local: Espaço Vitória. Fica na Leitão da Silva, em frente ao CIAS. Caso queira você consegue localizar no Google Maps: https://goo.gl/maps/yob8h22rvLn.

Programação

8:30 – 9:00: Entrega de Material (bloco de anotações e caneta).

9:00 – 12:00: Parte 1.

12:00 – 13:30: Almoço.

13:30 – 16:30: Parte 2.

16:30: Coffe break de encerramento e Networking.

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Tiago Zortea possui graduação em Psicologia pela Universidade Federal do Espírito Santo, mestrado em Psicologia pela mesma instituição na área de Evolução e Etologia Humana, formação em Terapia Comportamental pelo Instituto de Terapia por Contingências de Reforçamento (ITCR) e atuou em consultório particular no trabalho com crianças, adolescentes e adultos. Atualmente é pesquisador de PhD na University of Glasgow (Escócia, Reino Unido), membro do Suici dal Behaviour Research Laboratory, onde pesquisa sobre comportamento suicida e práticas parentais. É mem bro da British Psychological Society, revisor do periódico Archives of Suicide Research (International Academy of Suicide Research) e faz parte da liderança da International Network of Early Career Researchers in Suicide and Self-harm. Em Novembro de 2017, recebeu o prêmio Jean Thomson Memorial Award 2016-2017 da Universidade de Glasgow pela criação e organização do Suicide & Self-harm Early Career Researchers’ Forum, único congresso internacional exclusivamente voltado para jovens investigadores em suicídio e autolesão.

Trabalha com os seguintes temas/áreas: Suicídio, comportamento suicida, autolesão, prevenção ao suicídio, práticas parentais, apego e investimento parental.

Twitter:

https://twitter.com/zortea_tiago

Facebook: Tiago Zortea – Suicidologia:

https://www.facebook.com/TiagoZorteaSuicidologia/

Sobre Problemas e Louça Suja

Você já reparou como ter/resolver problemas e ter/lavar louça suja são duas atividades bem parecidas? E já reparou como são duas situações que podem ter um impacto negativo em você?

Na sua vida as pessoas vão encontrar os mais diversos tipos de problemas: desde os problemas mais simples até os problemas mais complexos e difíceis de resolver. Também terão os mais diversos tipos de louça suja: desde aquelas faquinhas que você usou apenas para cortar pão até aquela panela com fundo queimado, cheia de gordura e tantas outras coisas.

Tanto ter problema quanto ter louça suja costuma gerar certo incômodo: a pessoa sabe que se deixar ali aquilo não vai se resolver sozinho. O problema vai continuar ali até que a pessoa resolva e a louça vai continuar suja até que a pessoa a lave.

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Nas 2 situações as pessoas costumam agir de maneira semelhante: com os problemas acabam por resolver aqueles menos complicados, que dão menos trabalho e , em sua maioria, acabam resolvendo apenas quando eles se tornam urgentes e podem trazer uma consequência mais imediata. Com as louças acontece algo semelhante, várias pessoas acabam lavando apenas aquilo que é mais fácil e, em muitas situações, somente quando é mais urgente. Algo como “Eu sei que tenho muita coisa acumulada pra lavar, mas agora só preciso desse copo pra tomar água. Então deixa eu lavar esse copo aqui e deixar o resto aí“.

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“Ah, deixa só eu ver uma coisinha aqui e depois eu faço”

O grande problema é o mal-estar psicológico que isso pode causar. As pessoas podem deixar vários problemas “pra depois” e ir vivendo, vivendo… Até que uma hora ou outra o tal problema apareça na cabeça, fazendo lembrar que aquela situação precisa de uma atenção e da alguma ação para que seja resolvido. Sem isso nada poderá ser feito.

A mesma coisa acontece com aquela louça por lavar. A pessoa saber que pode ter lavado todos os pratos, talheres e copos que precisa, mas aquelas panelas sujas continuam ali. Ela pode até tentar escondê-la, colocá-la de lado e por aí vai… Mas uma hora ou outra a pessoa vai lembrar que ela está lá, esperando para ser lavada. Talvez naquela hora que ela está “curtindo uma preguiça” e lembrar que precisa tomar uma ação.

E aí entra um outro complicador: nas 2 situações, quanto mais se demora a tomar uma ação, mais desgaste e mais trabalho é preciso para solucionar. Aquela panela vai ficar com a sujeira mais agarrada, pode começar a cheirar mal… E aquele problema no carro ou aquela conversa no trabalho que precisa de uma atitude também ficarão lá “esperando” e possivelmente piorando… O problema no carro pode aumentar, a falta de conversa pode gerar um grande mal-entendido…

E o pior, hora ou outra a pessoa pode acabar precisando de algo ligado àquela situação: talvez precise cozinhar algo que só dá pra fazer NAQUELA PANELA, talvez precise resolver algo sério com aquela pessoa com quem ainda não teve AQUELA CONVERSA.

Diversas situações podem exigir muito das pessoas e a vontade que dá é de deixá-las pra lá. Infelizmente essa postura pode até dar menos trabalho no curto-prazo, mas tende a ser horrível a médio e longo-prazo. Ao fazer isso as pessoas abdicam de encontrar uma solução satisfatória e que gere maior bem-estar para o dia-a-dia. A louça pode acabar ficando mal lavada e os problemas mal-resolvidos.

Nas 2 situações somente a ação em direção a resolução é que tende a promover bem-estar. E somente agindo é possível desenvolver mais e mais habilidades que tornarão o “enfrentamento” dessas situações algo menos “doloroso” e mais efetivo. Depois de um tempo aprende-se formas mais rápidas, simples e menos “dolorosas” de resolver as coisas e lavar a louça.

Então nunca é tarde para mudar de postura, parar de ignorar os problemas (e as louças) e partir para ação em busca de uma situação que melhor te agrade. ;)

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Imagens: Internet (reprodução).

Como lidar com os efeitos psicológicos da crise econômica?

Cenário político caótico, desemprego aumentando, inflação subindo, renda diminuindo, quase todos os especialistas dizendo que a crise ainda tem muito a piorar…. E você no meio de tudo isso.

Quem está desempregado(a) fica preocupado(a) com o dia de hoje, por muitas vezes não saber como vai quitar suas dívidas, e com o dia de amanhã, por não saber o quanto ainda pode piorar. Quem está empregado(a) fica preocupado(a) com o dia de hoje, pois tem um acúmulo de atividades cada vez maior, e com o dia de amanhã, porque nunca sabe se será o próximo da lista de demitidos e se o dinheiro que ganha vai conseguir quitar as dívidas que tem. E você no meio disso tudo.

 E eu com isso?

Nessa situação, você pode passar a apresentar quadros de ansiedade, estresse, surtos de raiva, agressividade, dificuldade para dormir e por aí vai. Tudo isso pode ocorrer porque quando estamos diante desse tipo de situação tudo parece que vai desabar e acabamos por ficar “sempre alerta“, estando a um passo de “lutar ou correr“. É quase uma defesa natural do nosso corpo, para evitar que tenhamos “surpresas desagradáveis“. O problema maior é quando isso perdura por muito tempo.

É comum que durante essas fases você tenha a sensação que não importa o que você fizer, tudo vai dar errado. Mas acredite: existe uma saída. O problema é que a saída nem sempre é a que você desejava ou esperava. Afinal de contas, passar por momentos de crise implica em abrir mão de muitas coisas, lidar com privações, mudar todo um estilo de vida. E é exatamente nesse ponto que as coisas começam a ficar mais difíceis, principalmente para os homens¹.

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Isso porque nesses momentos tende a ocorrer um aumento significativo dos índices de suicídio entre os homens. E algumas pressões culturais podem ser uma das várias responsáveis por isso, como a expectativa cultural de que os homens sejam os provedores da casa. Quando isso não ocorre eles tendem a sofrer, não ver saída, não buscar ajuda e, em um momento de desespero, cometer suicídio. Mas lembre-se: momentos de desespero passam e a vida pode e deve continuar!

Nesses momentos é muito importante que exista um diálogo aberto entre as pessoas de uma família, para que todos tenham a real noção do que está acontecendo e possam pensar em maneiras conjuntas de agir para melhorar a situação da família ou para que todos possam passar por isso de uma forma menos dolorosa e com menores chances de que uma pessoa ou outra entre em um círculo de culpabilização e piore toda a situação.

É importante que você saiba que sofrer diante desse cenário não é uma “fraqueza” ou nenhuma “frescura”! Toda e qualquer pessoa tende a sofrer diante de mudanças que tendem a “piorar” a vida. Considere que o seu sofrimento é um aviso de que você precisa se desenvolver para lidar com situações novas. E lembre-se: é muito importante ter e aprender a lidar com problemas.

O que fazer?

Diante dessa situação resolvi separar algumas ações que você pode tomar para tentar passar por essa fase da melhor forma possível:

  1. Aceite a sua situação atual: aqui vale aquele velho ditado “Conceda-me a serenidade para aceitar aquilo que não posso mudar, a coragem para mudar o que me for possível e a sabedoria para saber discernir entre as duas”. Se você perdeu renda e não existe possibilidade de aumentá-la no curto-prazo, aceite isso e pare de ruminar sobre o que poderia ter feito lá atrás.
  2. Evite os canais de notícias: não se trata de virar uma pessoa alienada, trata-se de avaliar se assistir ao noticiário não está fazendo com que você fique ainda pior. Tenho percebido muitas pessoas que, diante de tanta notícia ruim, acabam ficando paralisadas. Que tal fazer um “regime” de notícias?
  3. Consulte um especialista em finanças: pode ser uma boa conversar com um consultor financeiro antes de sair cortando gastos por aí. Se você está endividado é preciso que você conheça a sua dívida para traçar um plano de ação. Caso isso não seja possível, a internet está cheia de vídeos e textos ensinando o básico para se livrar das dívidas.
  4. Aceite (sim, novamente!) a mudança do seu padrão de qualidade de vida: talvez seja necessário vender seu carro bom e pegar um carro mais popular, deixar de lado alguns programas “mais caros” e etc. Nesse momento pode pesar a “avaliação social” que outras pessoas podem fazer de você. Mas lembre-se: seu objetivo não é manter uma “boa imagem social”, mas sim ter mais tranquilidade dentro da sua casa e da sua vida.
  5. Curta os momentos com as pessoas ao seu redor: momentos de crise podem ser importantes para voltar a perceber o que você tem de mais importante, que são as suas relações sociais. Aquelas que, independente da sua condição financeira, estarão ao seu lado.
  6. Busque atividades para relaxar: nem tudo o que faz bem custa dinheiro ou custa caro! Que tal ir para um parque, praia, lagoa ou qualquer outro local que te permita fazer algumas atividades agradáveis e relaxantes? Alguns problemas podem levar algum tempo para serem resolvidos, então que tal relaxar enquanto isso?
  7. Busque auxílio psicológico: na atual conjuntura da economia tem crescido a procura por profissionais da Psicologia. Através de sessões semanais (ou de acordo com o que ficar combinado entre cliente e psicólogo) é possível pensar sobre como está a sua vida e buscar novas formas de agir para que a crise não te abale tanto assim.

Por fim, uma pequena historinha: Dizem que um sábio tinha esses dizeres escritos em cima da sua cama “ISSO TAMBÉM PASSA“. Ao ser perguntado o motivo disso, respondeu que era para que, quando estivesse passando por momentos ruins, se lembrar que eles iriam embora e que ao final de tudo ele sairia com ainda mais aprendizado. Mas esta frase não serviria somente para os momentos ruins. Quando estivermos exaltado de alegria, também precisaremos de moderação para encontrar nosso equilíbrio porque “Isso também passa…”. Tudo na vida é passageiro: tanto as tristezas como também as alegrias.

Abraço e até a próxima!

Qual o Seu Estilo de Comunicação?

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Você sabe como você costuma se comunicar com as pessoas? Ou conhece o estilo de comunicação das pessoas ao seu redor? Pois saiba que isso pode ser muito importante para que você consiga ter relacionamentos amorosos, familiares e sociais mais felizes.

Nessa postagem de hoje vou utilizar os 4 estilos encontrados no livro “DBT MADE SIMPLE”:

  • Passivo.
  • Agressivo.
  • Passivo-agressivo.
  • Assertivo.

Sugiro que você faça o seguinte: clique nesse link aqui e baixe o “Quiz de Estilo de Comunicação“¹ e responda da forma mais sincera possível! Ele serve como uma forma de deixar mais claro para você como você costuma se comunicar.

Com as respostas em mãos, dê o play e entenda um pouco mais sobre Estilos de Comunicação.

¹Este quiz não busca dar uma resposta absoluta sobre o seu estilo de comunicação. Ele busca identificar as características que mais se sobressaem quando você está se comunicando.

Tá esperando o quê?

Hoje eu quero falar com você que tem alguns sonhos, vontades, desejos e tudo o mais. Você que tem tudo isso e por algum motivo não começou. Talvez sua história seja parecida com as histórias abaixo:

X é porteiro de um prédio e tinha uma habilidade em fazer luminárias em pvc, mas deixou isso pra lá. A situação começou a apertar e ele resolveu fazer um pra vender para um amigo. O amigo gostou e outras pessoas começaram a pedir mais. Agora ele está com vários pedidos a caminho

Y é psicóloga e há algum tempo está sentindo-se insatisfeita e a grana também está apertando. Resolveu voltar a fazer algo que gostava e passar a atender nos horários que antes eram livres

Z trabalha em um escritório de contabilidade e sempre adorou cozinhar. A grana apertou e mesmo sem tempo ele resolveu tentar cozinhar para fora.

W foi demitido. Resolveu comprar uma barraquinha com o pouco dinheiro que restou para vender os doces que sua esposa faz e todos adoram“.

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Essas são histórias típicas da realidade brasileira atual. Com a inflação alta e a taxa de desemprego aumentando essas histórias tendem a se tornar cada vez mais comuns. São pessoas comuns, com histórias comuns e que de uma hora pra outra resolveram fazer algo que gostam ou que nem gostavam tanto, mas têm habilidade para fazer e gostariam de ter feito antes.

Mas a pergunta que eu gostaria de fazer para você é a seguinte: por quais motivos essas pessoas esperaram tanto tempo para fazer isso?

Tempo? Dinheiro? Já pensou como essa espera é a maior armadilha que você pode criar? Se você está em um emprego formal, carteira assinada e tudo bonitinho, provavelmente trabalhará cerca de 40 horas. Vai ter uma graninha sobrando (ou não) e terá pouco tempo sobrando. Mas a outra alternativa para ter muito tempo pode não ser tão agradável para muitas pessoas: fique desempregado.

Isso mesmo: desempregado. Fique desempregado que rapidinho você terá muito tempo sobrando, mas pode ser que não tenha quase nenhum dinheiro para receber e muito menos para sobrar.

Note que as pessoas que eu citei ali em cima (casos reais e fictícios) não tinham iniciado nada disso antes que as coisas “apertassem”. Elas estavam esperando o momento certo, aquele momento em que o vento sopra a noroeste, a temperatura está em 24°, a umidade relativa do ar em…. Ok, você entendeu?

Essa hora nunca vai chegar. Isso mesmo: nunca. Você nunca terá todas as condições perfeitas para iniciar um projeto. E ainda que tenha isso não é garantia de sucesso. Ter as garantias de início pode não ser (e muitas vezes não é) garantia de sucesso. Simplesmente porque é uma característica incrível da vida: ela muda. Sempre. E a condição favorável de hoje pode mudar amanhã. Seu papel não é esperar a condição, mas criá-la.

E é por isso que a minha pergunta pra você é simples: tá esperando o quê? Tá esperando o quê pra começar a cuidar da sua saúde? O próximo pico de pressão alta? Tá esperando o quê pra marcar aquele pulo de asa delta que você sempre sonhou? Ter tempo ou organizar sua agenda? Tá esperando o quê para enviar o currículo para aquela empresa que você sempre sonhou trabalhar? Ser demitido? Tá esperando o quê para procurar ajuda e mudar aqueles comportamentos que fazem as pessoas a sua volta sofrerem? Perder estas pessoas? Tá esperando o quê para iniciar aquele projeto que faria você uma pessoa muito feliz pelo simples fato de ter tentado? Entrar no desespero?

Gostaria que você fizesse o seguinte exercício: imagine que você morreu hoje. Isso mesmo, hoje. Um mau súbito. Ninguém esperava. Daqui a pouco várias pessoas estarão no seu funeral, elas estarão lá para se despedir de você. Todas estarão falando sobre a sua vida, sobre a imagem que você deixou para elas. O que será que elas estarão falando sobre você? Será que é a imagem que você gostaria de ter deixado? O que você gostaria que elas falassem de você?

Você acredita que as pessoas falarão aquilo que você gostaria de ouvir? Que bom! Continue assim! Continue fazendo aquilo que está fazendo! Ou você acredita que as pessoas falarão algo totalmente diferente do que você gostaria? Calma. Não entre em desespero. Se você acredita que elas não falarão isso, pense o que você pode fazer para ir atrás daquela imagem que você gostaria? Ela não é construída da noite para o dia, o seu “eu” melhor não vai surgir de hoje para amanhã. Ele será construído!

E não adianta esperar para construir amanhã, na semana que vem, depois do feriado… Não. Comece hoje, naquele horário vago que você utiliza para olhar redes sociais, compartilhar vídeos no WhatsApp, ler notícias que não trazem nada de relevante para sua vida. Hoje.

Hoje é segunda e seu tempo e dinheiro estão aí. É com essa realidade que você vai ter que lidar. Então, meu amigo e minha amiga: tá esperando o quê?

“Você não faz mais do que a sua obrigação”

Bom dia, boa tarde e boa noite.

Tudo bem com você? Espero que sim. Muito tempo que eu não apareço por aqui e pelo mesmo motivo de sempre: correria do dia-a-dia. Mas vamos ao que interessa!

Você já deve ter ouvido, uma vez ou outra, alguém falando: “Você não fez mais do que sua obrigação”. Seja para o filho que chega em casa com uma boa nota, para o funcionário que se matou para atingir determinada meta ou entregar um relatório sem erros, para o namorado que deu um presente para a namorada ou simplesmente abaixou a tampa da privada e por aí vai. Todos eles têm em comum o seguinte cenário: se comportaram de determinada maneira e obtiveram como consequência o “Não fez mais do que a sua obrigação”.

Olhando para a situação, não parece que as duas pessoas estão funcionando sob condições diferentes? Aquele que está estudando, fazendo o relatório e etc. estaria interpretando a situação como uma possibilidade de obter consequências agradáveis… Talvez por já ter sido assim com outras pessoas ou em outros contextos, como por exemplo: o filho pode ter visto o amiguinho sendo elogiado pelos pais ao tirar uma nota boa ou ter sido elogiado pela professora, o funcionário pode ter vindo de outra empresa onde a meta alcançada era indicativo de reconhecimento entre os colegas ou uma festa para a equipe, o namorado costumava ver a ex-namorada feliz e recebia “felicitações” ao presenteá-la… Enfim, diante do comportamento que eles exibiam, eles tinham consequências que eram realmente agradáveis para eles!

A outra parte, porém, pode não ter habilidade suficiente para perceber esta situação e estar afetando o comportamento de uma forma que não é das mais interessantes. Ou seja, caso a pessoa não se comporte da forma “esperada”, ela terá sérios problemas e como consequência terá um monte de problemas (o funcionário leva um “esporro”, o filho fica de recuperação e ainda leva castigo e o namorado vai ter que ouvir #mimimi da namorada caso não a agrade). Nesta linha de raciocínio, quando a pessoa age do jeito “esperado” e “não faz mais do que a obrigação”, ela deveria ficar satisfeita só de não levar um esporro ou não enfrentar um problema após o seu desempenho.

Com isso a pessoa fará o suficiente para não ter problemas, parando ao perceber que não mais terá problemas. Afinal, por qual motivo a pessoa vai ter um desempenho SENSACIONAL se no final o resultado é o mesmo?

Agora pare e olhe a sua volta: quantas crianças você conhece que fazem apenas o NECESSÁRIO para passar de ano? E os funcionários que passam o mês inteiro “morcegando” e lá pela metade do mês têm um “surto” de desempenho e atingem as metas? Ou aquele namorado(a) que vive o relacionamento apenas tentando evitar problemas porque sabe que “nada do que fizer será o suficiente”?

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Note que em nenhum momento eu falei de uma consequência grandiosa. Este tipo de problema costuma ocorrer pelo simples fato da consequência ser uma frase ou atitude no estilo “Não faz mais do que a obrigação”, é uma forma de “ignorar” o desempenho do outro ou não demonstrar o devido reconhecimento que a ação pode merecer.

Você pode não perceber, mas pequenas consequências fazem toda a diferença na vida das pessoas. Não se trata de ser frio e calculista, pensando onde e quando elogiar e fazer 1001 coisas, trata-se de ser capaz de reconhecer mudanças no outro.

Isso não quer dizer que você terá que ficar reconhecendo, aplaudindo, elogiando cada pequena mudança da pessoa.  Mas algumas vezes, quando a pessoa está fazendo uma mudança muito difícil, é interessante que ela perceba que tem alguém notando esta mudança. Não apenas notando, mas ficando feliz que tal mudança esteja ocorrendo.

Fazer isto, em geral, não custa muito e faz bem não apenas para o outro, mas para você. Isso porque este tipo de atitude tende a gerar um ambiente mais agradável de se conviver. Teste em seu dia-a-dia e veja se não funciona!

Abraços e até mais! ;)

Psicoterapia e Religião: um conflito necessário?

Durante o dia-a-dia costumo ver que muitas pessoas entendem a psicoterapia como sendo perigosa e até mesmo contrária a vida religiosa. Algumas pessoas consideram que ao recorrer ao psicólogo estão sendo fracas e não lidando da forma correta com o sofrimento. Mas será que existe este conflito? Vou abordar 3 pontos básicos sobre a relação psicoterapia e religião. Caso você tenha mais alguma dúvida é só comentar ao final ou me mandar um e-mail.

O que é Psicoterapia?

Se você já acompanha o meu site já sabe o que é psicoterapia. Mas se você está chegando agora, psicoterapia é um processo de autoconhecimento em que o psicólogo auxilia o desenvolvimento do seu cliente. Para isso ele se utiliza de perguntas, técnicas e análises que buscam fazer com que o cliente se conheça e possa, a partir disso, agir de formas diferentes.

Veja que é apenas um dos vários processos que podem auxiliar no desenvolvimento da pessoa para que ela tenha uma vida mais plena. E aí surge a pergunta: se a ideia é fazer com que você se torne uma pessoa melhor, por qual motivo isso seria contrário a vida religiosa?

Possíveis “pontos de atrito” entre a Psicoterapia e a Religião

1. Pensar em Agir de Forma Diferente.

Um dos possíveis problemas que uma pessoa religiosa pode ter ao lidar com a psicoterapia é que este processo nos leva a pensar sobre o que estamos fazendo, como estamos fazendo e identificar se existem outras formas de viver que nos trarão maior satisfação com a vida.

Ou seja, para algumas pessoas o simples fato de pensar em agir de forma diferente da que ela acha que está de acordo com a religião é extremamente incômodo. Mas note que é de acordo com o que a pessoa “acha“, ou seja, como ela interpreta que deve viver a religião. Temos diversas pessoas que frequentam as mesmas igrejas e algumas lidam bem com a vida religiosa e outras sofrem de alguma forma.

Existe uma diferença entre pensar e agir de forma diferente e pensar e agir de forma oposta. Mas parece que algumas pessoas pensam que ao entrar na psicoterapia irão se transformar em pessoas opostas ao que elas são e não é bem assim. Ao entrar em psicoterapia, agir de forma diferente nada mais é do que agir de maneira a sofrer menos e se sentir mais feliz.

2. Interpretação do Sofrimento

Algumas interpretações religiosas do sofrimento podem fazer com que a pessoa entenda que nada tem a fazer com o sofrimento. Colocam o sofrimento como algo que é preciso suportar sozinho e quanto mais sofrimento “melhor”.

Em alguns casos, a pessoa não pode sequer questionar sobre o sofrimento. Ela deve aceitar o sofrimento e esperar.

Para os psicólogos sofrer é natural, afinal de contas a vida não é feita apenas de coisas boas.

o que é a vida

Entretanto, sofrimento não é algo que precisa se perpetuar pelo maior tempo possível. Pelo contrário, espera-se que a pessoa aprenda a lidar melhor com as situações adversas para que em situações futuras ela sofra menos.

Sendo assim, se a pessoa entende que o sofrimento é algo que é uma provação pela qual ela precisa passar sozinha, dificilmente ela buscará terapia. Mas se ela entende que o sofrimento faz parte da vida e que pode lidar com ele com o auxílio da religião e também de outras pessoas, conseguirá entender que a psicoterapia é apenas um dos auxílios possíveis para viver melhor.

3. Medo de Perder a Fé

Algumas pessoas têm receio de perder a fé durante o processo de psicoterapia ou que o psicólogo enxerga a religião e a religiosidade como um problema a ser combatido. O processo de psicoterapia não serve para orientar a pessoa a ser menos ou mais religiosa.

Inclusive, em alguns casos o fato de pertencer a um grupo religioso pode auxiliar o processo de psicoterapia. Isso porque em muitos casos esse grupo é capaz de dar um bom suporte social para a pessoa, permitindo que ela se desenvolva ainda mais e melhor.

Além disso, o código de ética do psicólogo deixa bem claro que não cabe ao psicólogo orientar seu cliente para religião x, y, z ou não ter religião. Não existe “Psicologia Cristã” ou “Psicologia Umbandista”, nada disso. A Psicologia é um corpo de conhecimento científico e sua prática não deve estar vinculada à nenhuma religião.

O que pode ocorrer é que durante o processo de psicoterapia, algumas pessoas passem a viver a vida religiosa de uma forma diferente, mas isso não é o objetivo da terapia em si. Como a pessoa passa a pensar sobre a sua vida e em como gostaria de viver, algumas podem pensar que estão vivendo a religião de forma que está produzindo mais sofrimento do que alívio.

Ao se conhecer mais a pessoa será capaz de identificar o que vem causando sofrimento e o que causa bem-estar. Ou seja, a pessoa pode perceber que alguns aspectos da religião estão trazendo sofrimento e aprenderá a lidar com este aspecto de uma forma mais agradável.

Mas aprender a lidar de forma diferente com a religiosidade não é sinônimo de “perder a fé”.

Conclusão

Ao menos do lado da psicoterapia não existe nenhum conflito entre religião e psicoterapia. Um profissional ético deve ser capaz de atender seu cliente independente da religião e do grau de religiosidade que este venha a ter.

Caso o cliente apresente algum conflito com a sua religião, o espaço de psicoterapia costuma ser um dos melhores lugares para analisar este conflito. Isso porque o psicólogo não vai julgar se este conflito está certo ou errado, mas sim avaliar com o cliente o que pode ser feito para resolvê-lo.

Todo auxílio é bem vindo quando o que queremos é nos tornar pessoas com melhor qualidade de vida e menos conflitos e sentimentos negativos. Opções existem e cabe a cada pessoa decidir o que mais lhe agrada.

Abraço e até mais!

Imagem via Vi-Venes

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Sobre a importância de ter (e lidar com) Problemas

Você conhece alguém que se abala por qualquer acontecimento? Alguma pessoa que você tem medo de dar qualquer notícia ou informação ruim? Pessoas que parecem ter medo do mundo e evitam todo tipo de situação problemática? Pois esse texto é para elas (ou pra você).

O que são situações-problema?

Vamos resumir como uma situação na qual você não sabe muito bem o resultado final e pressente que pode vir um resultado negativo.

Pode ser também quando você age e não consegue obter aquilo que deseja ou por mais que faça as mesmas coisas que fazia antes os mesmos resultados não se repetem. De forma bem resumida, são situações desagradáveis que normalmente tentamos evitar.

Aparentemente, muitas pessoas enxergam nestas situações difíceis e frustrantes algo extremamente ruim e que deve ser evitado a qualquer custo. E esta maioria não está fazendo nada tão estranho, podem até fazer algo que é esperado…

Costumam estar acompanhadas de sentimentos negativos como angústia, medo, ansiedade, raiva, tristeza…. E dificilmente queremos ficar em contato com estes sentimentos, certo? Como disse ali em cima, tendemos evitar situações que despertem este tipo de sentimento.

19-02-2012 - Problemas

A importância dos problemas na sua vida

O problema é que ao evitar situações-problema podemos estar adiando o nosso desenvolvimento enquanto pessoa e, muitas vezes, a resolução de problemas que podem piorar ainda mais com o passar do tempo.

Gostaria que você fizesse o seguinte exercício: escolha um momento que você considera ter sido de grande desenvolvimento pessoal. Aquele momento que você olha pra trás e fala: “Ali parece que eu mudei de uma forma que eu nunca imaginei que seria capaz de mudar”.

Posso estar enganado, mas provavelmente foi uma situação em que você se deparou com sentimentos negativos e que teve que aprender a lidar com momentos nada agradáveis. Situações complicadas e problemáticas… Pode ser um momento de desemprego, o fim de um relacionamento de longa data, a mudança de estado, etc…

E se você tivesse evitado todos esses momentos? E se você tivesse decidido permanecer naquela situação em que estava, quem você seria hoje? Será que você seria uma pessoa mais ou menos preparada para lidar com os problemas que você tem enfrentado?

Veja que essas situações te prepararam, de alguma forma, para enfrentar e desfrutar a vida. Pois a vida apresentará situações difíceis a todo instante e quanto mais você as vivencia, maior é a sua habilidade para lidar com o mundo.

19-02-2012 - Desenvolvimento

Sendo assim, as situações-problema são extremamente importantes para que possamos aprender a viver e nos desenvolver, o que fará com que passemos por situações antes consideradas difíceis como sendo apenas mais uma situação.

Voltando para a situação que você imaginou ali em cima. Será que se você passasse por situação semelhante no dia de hoje, você sofreria da mesma forma? Ou será que já passaria por ela sem tantas dificuldades?

O perigo de evitar os problemas

A essa altura você já deve ter percebido que evitar entrar em contato com estas situações é evitar o seu desenvolvimento enquanto pessoa.

19-02-2012 - Medo

Afinal de contas, ao sabermos lidar com as mais diversas situações estaremos pavimentando o nosso caminho de modo a sofrer menos diante de situações semelhantes e deixando mais espaço para termos mais prazer ao longo de nossa vida.

Lógico que algumas situações são frustrantes, difíceis e muitas vezes não podemos fazer nada. Aprender a identificar este tipo de situação também é algo que precisamos aprender, para evitar sofrimento desnecessário ou apenas para conseguirmos aceitar que estas situações ocorrerão e não podemos fazer muita coisa para mudar.

Como diz um ditado:

Dê-me serenidade para aceitar as coisas que não posso mudar, coragem para modificar aquelas que posso e sabedoria para distinguir uma das outras

 

Como desenvolver a habilidade para lidar com os problemas?

Infelizmente (felizmente?), ninguém pode te dar esta habilidade. Ela é construída ao longo da vida, quando você enfrenta situações novas que te forçarão a aprender a lidar com os contratempos que a vida apresenta.

Em primeiro lugar, esteja atento a situações que estejam causando algum mal-estar. Identificar estas situações de forma clara já é um bom começo.

Em segundo lugar, aprenda a identificar se existe algo que você pode fazer para mudar a situação, identificando comportamentos claros que dependem de você, apenas de você.

Em terceiro lugar, avalie quais pessoas podem te ajudar a resolver situações mais difíceis, mas nunca esqueça que ajudar é diferente de resolver por você. Seus amigos e familiares ou qualquer outra pessoa podem te auxiliar, mas o responsável pela sua mudança é você.

Por último, busque constantemente situações que te desafiem, começando de situações menos problemáticas para as mais problemáticas. Lembre-se que adiar a resolução do problema ou ignorá-lo não fará com que ele suma.

Começar resolvendo pequenas situações pode te ajudar a ganhar mais confiança e a perceber que os problemas podem ser menores e mais fáceis de serem resolvidos do que você imagina.

Como costumo dizer aos meus clientes: a cada problema que a vida coloca no seu caminho ela está te dando uma oportunidade de se desenvolver e aprender ainda mais sobre como viver nesse mundo. Problemas não são o fim do mundo, são oportunidades de desenvolvimento!

Sendo assim, aproveite os seus problemas para se desenvolver ainda mais! ;)

 

Fonte das imagens:

http://goo.gl/Zflqyx

http://goo.gl/e7dVOQ

http://goo.gl/XLFwOp

O celular anda atrapalhando as suas interações?

A cena é comum. Você está conversando com uma pessoa e de uma hora pra outra ela para de responder.

- Fulano, você tinha que ver o que aconteceu. Eu estava no bar e passou aquela sua amiga que eu queria conhecer, lembra?

- Aham. Sim…

- Cara, você não vai acreditar no que aconteceu (*PLIM* barulho de mensagem). Eu estava lá e ela me deu uma encarada….

- (pausa de alguns segundos). Ahn, tava aonde?

- No bar, cara. Daí ela passou e (*PLIM*) eu resolvi (*PLIM* *PLIM* *PLIM*)… Fulano…”

Esta pessoa não tem um novo transtorno psicológico e não deu um piripaque do Chaves. Ela é mais uma que está mandando mensagens e curtindo as redes sociais enquanto tem uma interação ao vivo. Pode não parecer, mas isso tem trazido problemas para as interações sociais.

celular na testa

O que é uma Interação Social e quando ela é agradável?

Podemos dizer que duas pessoas estão interagindo e se comunicando quando a pessoa “A” emite uma informação e “B” compreende o que “A” disse através de sinais claros como: acenar com a cabeça, falar algo sobre o mesmo assunto, responder o que lhe é perguntado, executar o que “A” solicitou, rir, concordar, discordar, etc..

Interação não consiste apenas em uma pessoa falando enquanto a outra está ouvindo. Para que uma interação seja agradável é necessário que as pessoas consigam compartilhar informações em uma via de mão-dupla, preferencialmente em um clima ameno. Fundamentalmente, conversamos e falamos com outras pessoas por conta da atenção que recebemos.

Professores que tendem a ignorar o que os alunos falam acabam por fazer com que os alunos diminuam a quantidade de perguntas (e sejam considerados professores chatos, despreparados que precisam melhorar). Pessoas que respondem perguntas com respostas curtas e secas acabam por “diminuir a vontade” do outro em continuar perguntando e interagindo.

Note que a tal da comunicação e interação com outro ser humano não é simples. Não basta responder ao que é perguntado, é preciso demonstrar sinais de que está “prestando atenção”. A atenção é o combustível que mantém a conversa e a interação, sendo assim, não existe a menor possibilidade de ocorrer uma interação agradável se as duas partes não estiverem atentas umas as outras ou se a atenção ocorrer de forma intermitente (uma hora eu tenho, outra hora eu não tenho).

 Concorrência Desleal

Ok, ok, antes de prosseguir com o texto temos que admitir uma coisa: existe uma concorrência desleal. Ao termos acesso a redes sociais e troca de mensagens temos um monte de coisa interessante que podem ser vistas, compartilhadas e curtidas. Interagir com o celular é uma fonte de notícias sempre novas, piadas e vídeos interessantes a cada minuto e isto realmente vai concorrer a sua atenção com a pessoa que estiver a sua frente. Mas o que será que isso tem causado?

 Efeitos Colaterais

Quando comecei a escrever este texto ainda não sabia da existência desse estudo, mas como acompanho o excelente blog do Dr. Cristiano Nabuco acabei descobrindo que saiu o primeiro estudo sobre o efeito que este comportamento tem no cônjuge.

Na verdade, o ato de “ignorar o outro” tem um nome específico, o “Phubbing”: a junção de phone (telefone) e snubbing (esnobar).

O que o estudo demonstrou é que o tempo livre dos casais tem sido afetado por este tipo de comportamento e que isto parece estar associado à insatisfação geral com o relacionamento.

Não sei de estudos que falam sobre as consequências deste comportamento para outros relacionamentos, mas imagino que o efeito seja parecido, a saber: “esnobar” alguém ao utilizar o celular causa incômodo e atrapalha a sua satisfação geral com este relacionamento.

 O que fazer?

– Se você faz isso, tente reservar um tempo para cada atividade. Se for para interagir com quem está perto, interaja com esta pessoa e não com todas as outras das suas redes sociais.

– Se precisar utilizar o telefone, avise a outra pessoa e interrompa a conversa, faça o que precisa ser feito e depois volte a conversar.

– Se você interage com alguém assim, demonstre que ESTE COMPORTAMENTO está te incomodando e que você gostaria de aproveitar mais a companhia desta pessoa sem tantas interrupções.

Se alguém “puxar a sua orelha”, avalie se isto realmente não está ocorrendo de maneira excessiva.

Por último, e não menos importante, aproveite mais os seus momentos off-line. Navegar na internet, trocar piada, fotos e vídeos são atividades prazerosas? Sim, mas dificilmente serão mais prazerosas do que a interação na “vida real”.

fale ilimitado

Homossexual precisa de cura? E se ele pedir?

“Elizabeth tinha 14 anos e percebeu que gostava de meninas. Elizabeth estava lutando para conciliar seus sentimentos com a sua própria fé. Além disso, temia a reação dos pais quando revelasse sua sexualidade. Foi encontrada enforcada poucas horas depois de enviar uma mensagem para um amigo. O nome não é fictício e Elizabeth tinha nome, sobrenome, foto e família.”

Lizzie-Lowe

Foto: Reprodução da Internet.

É possível que algumas pessoas como ela procurem terapia e peçam ao psicólogo: “Por favor, eu não quero ser assim. Me faça ser heterossexual”. Muitos argumentam que este pedido já seria suficiente para tentar “reverter” a sexualidade de Elizabeth. A discussão sobre o tema costuma ser bem intensa e envolve diversas esferas da sociedade: representantes religiosos, cientistas, pseudocientistas, psicólogos, pseudopsicólogos, parentes, apresentadores de programas de auditório e por aí vai.

Para além das tentativas malsucedidas de “reversão” ou “reorientação”, será que este pedido deveria ser atendido de forma imediata e sem questionamento?

Diferença entre Queixa e Demanda.

Todo e qualquer psicólogo deve saber diferenciar entre “queixa x demanda”. Enquanto psicólogos, temos que ter a capacidade de entender que a fala de um cliente reflete o ambiente que ele está vivendo e muitas vezes (maioria esmagadora) esta fala não traz consigo tudo o que está ocorrendo na vida do cliente.

Se uma pessoa chega para um médico e reclama que está com uma febre muito alta, seria o mais indicado dar um remédio para diminuir esta febre e pronto? Ou seria melhor investigar melhor para saber qual a origem desta febre?

O mesmo ocorre com os problemas psicológicos e, em especial, com homossexuais que podem estar “querendo ser curados”. Na maioria das vezes em que uma pessoa afirma querer “se livrar de uma condição” é porque a pessoa está tentando evitar uma situação desagradável.

Ao dizer que “não quer ser homossexual” o indivíduo pode estar falando nada mais, nada menos que está passando por situações desagradáveis como consequência de ser homossexual e não porque é homossexual.

E existe diferença? Sim, existe. Homossexuais costumam ser discriminados dentro e fora da família e qualquer pessoa que tenha sido discriminada, seja qual for o motivo (cor de pele, condição social, roupa, etc.), sabe que isto não é agradável. Se o problema não é com a condição em si, mas sim com a forma que algumas pessoas lidam com esta condição, a demanda pode ser bem diferente, assim como o objetivo da terapia.

Terapia de Reversão da Sexualidade? É possível mudar a orientação sexual de alguém?

Existem relatos de pessoas que afirmam ter “deixado de ser homossexual”, passando a se relacionar com pessoas do sexo oposto, tendo filhos e e etc. Várias dessas pessoas afirmam não mais sentir vontade de se relacionar com pessoas do mesmo sexo.

Entretanto, com falei acima, alguns dados deste tipo de intervenção demonstram que as consequências podem ser desastrosas! As consequências vão desde ansiedade e depressão até a automutilação, pensamentos suicidas, entre outros.

Sendo assim, ainda que um método de “reversão” seja possível (note que este termo é bem ruim porque parece indicar que todo mundo nasce heterossexual e depois vira homossexual, precisando ser revertido à condição inicial), será que vale a pena correr o risco de tantos problemas posteriores? Quais são os benefícios diretos para o cliente? Além disso, qual a motivação para se tornar heterossexual?

Capacidade de se declarar homossexual

Normalmente vemos as pessoas falando que as pessoas precisam “assumir sua homossexualidade”. Particularmente, acho o termo “assumir” meio problemático porque costuma estar vinculado ao sentimento de culpa, como uma forma de “assumir” erros. Prefiro o termo declarar sua homossexualidade (mas ainda assim acho que pode existir termo melhor).

Mas vamos lá! Nem todas as pessoas conseguem se declarar homossexual e os motivos são os mais óbvios possíveis: ao optarem por tornar isso público terão que passar por situações que provavelmente não serão agradáveis. Seus pais e familiares podem não receber bem a notícia, algumas pessoas podem se afastar, sofrer preconceito e outras podem até ser mais agressivas.

Neste cenário, muitas pessoas optam por “levar uma vida heterossexual”. Casam-se com alguém do sexo oposto, têm filhos e vivem sua homossexualidade escondidos (o livro “Segundo Desejo” traz mais informações e dados um tanto assustadores sobre essa realidade). Alguns passam a vida inteira tentando negar sua sexualidade, sem sequer se envolver com alguém.

A essa altura eu espero que você tenha percebido que o problema não é com a homossexualidade em si. A pessoa pode falar que está apaixonada por “fulano(a)” e que tudo que ela queria era se relacionar com tal pessoa, mas não pode deixar que isso aconteça porque teria que passar por muitos problemas.

Apesar da queixa ser “Não quero ser mais homossexual”, normalmente o(a) cliente possui uma demanda diferente: ele(a) precisa aprender a lidar com sua sexualidade e também de arrumar meios para conseguir se declarar homossexual diante das pessoas e enfrentar as consequências que resultarão deste posicionamento.

Este processo envolve desenvolvimento pessoal, criação de novos laços afetivos e redes de apoio, habilidades sociais para lidar e enfrentar situações constrangedoras e também habilidade para interpretar o que está afetando sua vida e seu bem-estar (habilidade necessária a todo e qualquer ser humano, hetero, homo, pan, etc.).

Conclusão

Ainda que existam relatos de que é possível modificar a sexualidade das pessoas, os processos que dão origem a esta mudança costumam causar consequências danosas. O que a realidade tem nos apresentado é que as pessoas não precisam de uma reversão ou cura (afinal, homossexualidade não é doença), mas sim de auxílio no processo de vivência da sua sexualidade, bem como suporte para lidar com as consequências problemáticas que podem advir ao se declararem homossexuais.

Talvez Elizabeth não tivesse cometido suicídio se tivesse conseguido desenvolver habilidades para lidar com sua sexualidade e falar de forma aberta com seus pais. Talvez possamos evitar vários casos como o dela auxiliando o desenvolvimento dessas pessoas e das pessoas que estão ao redor delas.

Este desenvolvimento pode se dar a partir de processos como a terapia, mas pode e deve principalmente ser desenvolvido entre as mais diversas pessoas: pais, familiares, amigos, escolas, etc. Quanto maior o diálogo, compreensão e aceitação das diferenças entre as pessoas, menor a chance que as pessoas sintam tamanho sofrimento apenas por se relacionar com pessoas do mesmo sexo.

Abraço e até mais!

Obs.: recomendo a leitura deste texto aqui para uma discussão mais aprofundada sobre a homossexualidade.