Abuso Psicológico na Infância é tão prejudicial quanto o Abuso Físico ou Sexual

Muitas vezes não reconhecido, o abuso emocional é uma forma predominante de abuso.

WASHINGTON — Crianças que são emocionalmente abusadas e rejeitadas encaram problemas psicológicos semelhantes ou piores do que crianças que foram abusadas fisicamente ou sexualmente. Contudo, o abuso psicológico raramente é abordado em programas de prevenção ou tratamento de vítimas, de acordo com um novo estudo publicado pela Associação Americana de Psicologia.

“Dada a prevalência do abuso psicológico na infância e da gravidade dos danos às jovens vítimas, isto deveria estar na vanguarda da saúde mental e da formação em serviço social” disse o autor líder do estudo Joseph Spinazzola, PhD, do “The Trauma Center at Justice Resource Institute”, Brookline, Massachusetts. O artigo aparecerá na edição especial do periódico da APA “Psychological Trauma: Theory, Research, Practice, and Policy®”.

Os pesquisadores usaram o “National Child Traumatic Stress Network Core Data Set” para analisar os dados de 5.616 jovens com histórico de vida que continham um ou mais de três tipos de abuso: maus-tratos psicológicos (abuso ou negligência emocional), abuso físico e abuso sexual. A maioria (62 por cento) tinha um histórico de maus-tratos psicológicos, e quase um quarto (24 por cento) de todos os casos era de maus-tratos psicológicos, que o estudo definiu como assédio moral do cuidador, aterrorizar, controle coercitivo, insultos severos, humilhação, ameaças, demandas avassaladoras, evitação e/ou isolamento.

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Crianças que foram psicologicamente abusadas sofreram de ansiedade, depressão, baixa autoestima, sintomas de estresse pós-traumático e tendências suicidas na mesma proporção e, em alguns casos, a um nível maior do que crianças que foram abusadas fisicamente ou sexualmente. Dos três tipos de abuso, os maus-tratos psicológicos foram os que mais fortemente se correlacionaram com depressão, transtorno de ansiedade generalizada, transtorno de ansiedade social, problemas de apego e de abuso de substância. Maus-tratos psicológicos que ocorreram juntamente com abuso físico ou sexual estavam associados com consequências significativamente mais severas e negativas do que crianças que foram abusadas sexualmente ou fisicamente, mas não psicologicamente, segundo os resultados do estudo. Além disso, segundo o estudo, o abuso sexual e físico tinham que ocorrer ao mesmo tempo para ter o mesmo efeito que o abuso psicológico sozinho em questões comportamentais na escola, problemas de apego e comportamentos de auto-agressão.

“As assistentes sociais que trabalham com o serviço de proteção a criança podem ter dificuldade em reconhecer e comprovar a negligência e o abuso emocional porque não existem feridas físicas”, disse Spinazzola. “Além disso, o abuso psicológico não é considerado um tabu social grave, como o abuso infantil sexual e físico. Nós precisamos de iniciativas de conscientização para ajudar as pessoas a entender o quão prejudicial são os maus-tratos para crianças e adolescentes”.

Quase 3 milhões de crianças americanas por ano passam por alguma forma de maus-tratos, predominantemente por um dos pais, parentes ou outros adultos cuidadores, de acordo com o U.S. Children’s Bureau. Em 2012 a “American Academy of Pediatrics” identificou os maus-tratos psicológicos como “a forma de negligência e abuso infantil mais desafiadora e predominante”.

Para o estudo atual, a amostra foi de 42 por cento de meninos e 38 por cento brancos; 21 por cento de afro-americanos; 30 por cento de hispânicos; 7 por cento outros e 4 por cento desconhecidos. Os dados foram coletados entre 2004 e 2010 com idade média das crianças, no início da coleta, entre 10 e 12 anos.  Os médicos entrevistaram as crianças, que também responderam questionários para determinar sintomas de saúde comportamental e eventos traumáticos que eles vivenciaram. Além disso, os cuidadores responderam um questionário com 113 itens referentes ao comportamento da criança. Várias fontes, incluindo o relato dos médicos, forneceram o histórico de trauma de cada criança envolvendo maus-tratos psicológicos  e abuso físico ou sexual.

Artigo: “Unseen Wounds: The Contribution of Psychological Maltreatment to Child and Adolescent Mental Health and Risk Outcomes,” Joseph Spinazzola, PhD, and Hilary Hodgdon, PhD, The Trauma Center at Justice Resource Institute, Brookline, Massachusetts; Li-Jung Liang, PhD, University of California, Los Angeles School of Medicine; Julian D. Ford, PhD, University of Connecticut Medical School; Christopher M. Layne, PhD, and Robert Pynoos, MD, National Center for Child Traumatic Stress, Los Angeles, and University of California, Los Angeles; Ernestine C. Briggs, PhD, National Center for Child Traumatic Stress, Durham, North Carolina, and Duke University School of Medicine; Bradley Stolbach, PhD, University of Chicago; Cassandra Kisiel, PhD, Northwestern Medical School, publication TBD, Psychological Trauma: Theory, Research, Practice, and Policy.

 Reportagem original aqui.

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